segunda-feira, 30 de março de 2009

Ler Saramago. Em Ourém - 3 e fim

De modo algum, me arrogo um balanço. Ou uma opinião final. Nem sequer acrescento as referências que seriam justas (e algumas de aplauso) aos números do programa a que me não referi.
Mas quero - tenho de - dizer que me senti noutra Ourém. Numa Ourém viva.
Com o trabalho das/os professoras/es e alunos/as, com as várias participações da Ourearte, com a excelente realização do Teatro Apollo, com as escolhas e as contribuições dos convidados (falta alguém? talvez... desculpem-me).
E tenho que dizer, também e infelizmente, que me senti na mesma Ourém que conhecemos. Com a pequenina política a ditar comportamentos, com as pessoas alheadas, com um cine-teatro frio, frio.
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Parabéns e muito obrigado aos que fizeram que me sentisse na outra e viva Ourém que tanto se deseja e para que alguns (poucos) trabalham. Com o pedido de que não desistam perante a resistência da mesma e conhecida Ourém.
Aliás, a iniciativa não terminou. Há que dela ainda tirar o tanto que está por fazer para que fique o seu testemunho e memória documental. No que puder ajudar, nas condições em que puder ajudar, podem contar comigo.

terça-feira, 24 de março de 2009

Ler Saramago. Em Ourém - 2

Não sei se, depois desta semana, haverá muitos mais leitores de Saramago em Ourém. Mas sei, sem qualquer dúvida, que haverá, depois desta semana e dos trabalhos que a antecederam, muito mais jovens a conhecer Saramago, a saber que ele existe e... a saber coisas sobre o que ele é e o que escreveu.

O que já justificaria todo o enorme trabalho, que não me cansarei de elogiar. Embora o desejável seja que, entre tantos jovens, um ou dois ganhem curiosidade em o ler e, como Carlos André disse tão bem, fiquem seus leitores sem ser por obrigação. Pelo prazer da leitura. Da leitura e da leitura de Saramago.

Esta manhã começou pelo descerramento de um busto do "nosso Nobel", pelo Presidente da Junta da Azinhaga, aldeia onde nasceu José Saramago, da autoria de um aluno com a colaboração de uma professora e de colegas, e foi um acto marcante na exposição que está a ser visitada por muitos jovens.

Depois, foi uma conferência de Dalila Mateus, professora doutorada em História, e que se fez acompanhar de uma muito representativa delegação da escola de Lisboa em que é docente, sobre Saramago, o escritor e o seu tempo, que foi uma excelentemente documentada lição sobre... Saramago, o escritor e o seu tempo. Sem eufemismos, dando o nome às situações que se viveram (fascismo, guerra colonial, repressão, assassinatos), com o apoio anexo de uma ilustração que foi projectada após a exposição.

Por último, a leitura dramatizada de um conto de Saramago, pelo actor Paulo Nery, que, apesar do atraso, da relativa agitação inicial, e da excessiva extensão do conto, foi agradável de seguir, permitindo-me salientar a apresentação do actor muito bem interpretada por duas alunas, com verdadeiro sentido teatral, de intenção e colocação de vozes.

Não posso, neste apontamento, deixar de confirmar a estranheza e o desagrado pelo alheamento relativamente a esta iniciativa por parte da Câmara Municipal, e da força partidária que lhe é maioritária, tanto mais que a Doutora Dalila Mateus trazia exemplares da sua conferência sendo um deles para oferecer à Câmara Municipal. Algo se passa?...

Mea culpa

O post abaixo foi reproduzido no "miradouro" de ocastelo, no verdadeiro serviço público que este vem cumprindo. Por minha exclusiva culpa, ao passar, de fugida, pelo "miradouro" não vi essa transcrição e fiz, há pouco, um comentário em que me baseava nessa minha deficiente visita, que depois - e só depois - corrigi.
Daqui, várias culpas minhas, incluindo a de não ter sido capaz de eliminar o comentário.
Pelo que: as minhas desculpas... que, assim, chegam ao "miradouro", ao ocastelo e ao "alvo" do meu comentário.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Divulgação de abaixo-assinado

Por via da ACISO recebi o seguinte abaixo-assinado, com 169 assinaturas de comerciantes, a que dou a divulgação possível (e toda a solidariedade), com a mesma intenção de que seja travada a desolação a que tem sido condenado o centro da cidade, juntando-me aos que, unidos, defendem o pouco que ainda resta do seu comércio.

Ler Saramago. Em Ourém

Começou hoje a semana Ler Saramago. Em Ourém.
Com um programa preparado por uma equipa dedicada, competente e determinada. Incluindo professores e estudantes. Que fez excelente trabalho e que merece que tudo corra muito bem.
Acompanharei quanto puder.
Nesta manhã, o programa consistia numa sessão formal, uma conferência, um concerto de saxofones da Ourearte, e abertura de uma exposição.
A sessão de abertura formal seria às 09.30 e começou com bastante atraso devido à não chegada dos representantes da Câmara e da Assembleia municipais. Não posso deixar de registar o facto. Tal como registo os que me parecem positivos, não ignoro os que, a meu ver, são de assinalar os negativos. Como é que estando dois vereadores na sala, o Presidente da Câmara se faz representar por um não eleito que não chega ã tempo?, e porque é que a Presidente da Assembleia Municipal não se faz representar, sabendo-se, de antemão, que alguns "deputados municipais" estariam presentes? Haverá razões da política "à oureense" que a razão política desconhece? De qualquer modo, a iniciativa merecia (se é que não exigia) outra atenção.
Adiante...
A conferência do Prof. Doutor Carlos André foi muito interesante, trazendo uma leitura cuidada num texto muito bem estruturado. Saramago deveria ter gostado de ouvir.
A exposição inaugurada merece ser visitada. Está muito bem arrumada, tem agradável circulação e... voltarei para a ver com mais detença.
Bom resto de semana!

domingo, 22 de março de 2009

Com tributo

No novo ar que se respira em Ourém, incorrigível optimista que sou procuro sempre sinais positivos. Um dos que encontrei,foi esta iniciativa para o Dia Mundial da Poesia, na Biblioteca Municipal. Até porque, sendo visitante frequente de biblioteca municipais, por razões diversas, sempre tenho sentido um grande oesar por a da "minha terra" vir sendo a "apagada e vil tristeza".
Lá fui, fazendo malabarismos com o tempo, tive a oportunidade de saudar a "equipa" (sobretudo, a principal animadora) que meteu mãos à obra ou pernas a caminho, gostei muito da forma comunicativa e agradável como a Carmen Zita nos apresentou Edgar Allan Poe, passei um excelente pedaço de tarde... naquele sítio.
Mas sai de lá triste . Os dedos chegavam e sobravam para contar os presentes, nem um vereadorzito para amostra...
Não desistam. Há que continuar! Talvez na forma de tertúlia aberta.

sábado, 21 de março de 2009

Assim o Governo Civil de Santarém faz política...

Transcreve-se Nota à Comunicação Social da União dos Sindicatos de Santarém:


Nota à Comunicação Social

GOVERNO CIVIL NÃO CRIOU NENHUMA “COMISSÃO INFORMAL”
(Esclarecimento da USS/CGTP-IN)
1. Alguma comunicação social regional, fazendo eco do que lhes foi transmitido pelo gabinete de propaganda do governo civil, anunciou que este teria criado uma “comissão informal” para avaliar os impactos da crise;
2. Dessa Comissão faria parte a USS/CGTP-IN que, segundo a leitura da notícia veiculada pela propaganda oficial, estaria a alinhar numa operação de branqueamento e de maquilhagem da situação com que se debatem milhares de trabalhadores e pequenos e micro empresários do distrito de Santarém;
3. Acontece que a realidade é outra. Ou seja, por proposta da USS/CGTP-IN, formalizada no dia 20 de Fevereiro em reunião com o Governador Civil, veio a ser criada uma comissão distrital cuja composição inicial foi sugerido que fosse a seguinte: CGTP-IN, Governo Civil, Associações de Municípios e Nersant;
4. O Governo Civil, veio a aceitar a ideia da criação desta Comissão – que, aliás, o Nersant também lhe teria proposto e, como era de esperar, fez incluir o “departamento patronal para as questões sindicais” (vulgo UGT) na referida Comissão;
5. A primeira reunião foi efectuada no dia 10 de Março e a segunda e última reunião foi efectuada no passado dia 18 – tendo esta última, merecido a divulgação pública que se conhece;
6. Sendo eticamente duvidoso o comportamento do Governo Civil, pelo menos, deveria ter existido o cuidado de informar a opinião pública de que nesta reunião a USS/CGTP-IN apresentou um documento intitulado “MEDIDAS URGENTES E CONSIDERADAS NECESSÁRIAS PARA MINIMIZAR OS EFEITOS DA CRISE”;
7. O mesmo gabinete, se fosse de informação e não de propaganda, deveria também ter referido que o governo civil se comprometeu a dar respostas à situação dos trabalhadores de quatro grandes empresas distritais onde os salários estão em atraso e/ou em situação de insolvência – questões colocadas pela delegação da USS/CGTP-IN que, registe-se, teve concordância unânime;
8. No dia 1 de Abril, a USS/CGTP-IN, espera resposta às medidas que apresentou para acautelar o emprego e os direitos dos trabalhadores e, bem entendido, quer saber quais as medidas que o governo e o patronato tomaram quanto ao futuro das empresas e dos postos de trabalho em causa;
9. A USS/CGTP-IN chama a atenção do governo civil e dos parceiros patronais de que a construção de consensos (necessários para se ultrapassarem alguns constrangimentos) só serão possíveis se existir um clima de boa fé e se, ao contrário daquilo que o governo tem feito, os Sindicatos e os trabalhadores forem respeitados;
10. A USS/CGTP-IN jamais permitirá ser instrumentalizada por quem quer que seja e, reafirma que continuará a sua luta por uma Mudança de Rumo para o país e para a região, cabendo ao governo e a quem dirige as empresas, dar resposta e resolver os problemas que afectam milhares e milhares de famílias e de jovens.
20-03-2009

A Direcção