Esta é a quarta e última foto retirada do Notícias de Ourém.
As razões porque estou a publicar esta série já as disse. Mas, para que não haja confusões, para mim, na minha memória, o Café Central tem um lugar muito especial. Não diria que foi lá que aprendi a ler, mas foi lá que o sr. Joaquim Espada (um senhor!) me aconselhou algumas leituras, até por ser o sítio onde se vendiam livros em Vila Nova de Ourém; não diria que era lá que gastava as minhas "poupanças" para o bilhar das férias por aqui, porque também o Café Ourém, então no chamado edifício da Repal, me levou alguns desses "cobres".
Mas... o Café Avenida foi um acontecimento. Quando nasceu, e enquanto viveu. Foi um "elegante estabelecimento que honra Ourém".
E pronto. Espero que os mais novos o tenham ficado a conhecer, e que os menos novos que por aqui passem tenham tido algumas saudades. E ainda farei um último apontamento. Ou mais... Depende.
Há um pasquim oureense (o título é deles), em que um arauto (de quê?) me dedicou duas mensagens. Respondo? Não respondo? Estou como o Miguel Torga: respondo!… não sou nenhum santo, e não quero assemelhar-me ao velho leão que aceita sem reagir coices de asno.
. Nessas mensagens, tenho a “honra” de me ser dedicada uma etiqueta... que é o que mais me põem, mas até agora era só uma, a de “comunista”… embora algumas vezes adjectivada. No pasquim, a minha etiqueta é a de “faz aquilo que eu digo”, e o arauto, além dessa, começa as duas mensagens por me colocar outras, como a de ser o protótipo da “hipocrisia de uma certa classe, meia elitista e com tiques de burguesia”. Já lá vamos esclarecer isso, agora respondo a outras coisas… As duas mensagens são de sexta-feira, e a primeira é sobre o Haiti ser aqui ou nas Caraíbas. Segundo o arauto, a minha hipocrisia é tanta que escrevi um post sobre o Haiti sentado num sofá e a beber meio cálice de aguardente velha. Enganou-se, mas até podia ter acertado porque gosto de aguardente velha, embora seja mais para o bagaço... No entanto, como poderia ele saber como eu estava na velhínha casa do Zambujal, estando – como decerto estaria – lá longe, no aeroporto de Port au Prince, a dar toda a sua ajuda ao povo haitiano?! E também acho interessante a plasticidade com que conseguiu meter a “minha” Sibéria (tinha de ser!, ou a Hungria, ou a Checoslováquia, ou a Coreia do Norte) no Haiti dele. Simplesmente ridículo. No segunda mensagem do dia, a coisa fia mais fino. A referência à primeira reunião da assembleia municipal é de chapada má fé. Ou então de total ignorância do que queira dizer mudança. Com a réstia de benefício da dúvida que quero reservar, aconselhava segunda leitura. Já quanto ao Congresso, há afirmações que têm de ser totalmente refutadas. Participei, de corpo e intervenções inteiras, na primeira reunião da Comissão Organizadora, colaboração e, a partir dessas opiniões, fui incumbido de uma tarefa (a apresentação de um texto com regulamentocongressual), que cumpri escrupulosamente. Mantenho toda a disposição de colaborar, sem negar quaisquer responsabilidades (aliás, a exemplo de outro congresso), e não é um qualquer arauto, desinformado ou mal informado, que pode negar esta minha disposição. Porque é Por Ourém.
- Quanto a ser burguês, aceito… desde que se acrescente que pequeno sou. Nasci assim e assim cresci. Depois, tomei partido, contra a burguesia, e nunca hesitei em colocar em perigo as vantagens de ter nascido pequeno burguês, nunca estas tendo condicionado a minha postura e acção. Para terminar (deveria ter começado?), acho de um inqualificável mau gosto essa da “teoria do sofá e de como se está confortável sentado nele com o comando na mão e pantufas calçadas e ter quem nos traga uma bebida quente numa noite fria... “. Cá por casa, não é assim, e nunca na minha vida foi!
O "vasto e elegante salão"! E a porta que rodava, lá ao fundo... Onde tanta coisa se passou. Porque era ali que se faziam os almoços e os jantares "importantes" (nas vindas das velhas-guardas do Sporting e do Benfica - o Porto ainda não tinha... descolado! -, nas homenagens - a Leopoldo Nunes, por exemplo -, alguns bailaricos que ficaram na nossa memória... e história. E era ali que passava o dia-a-dia da terra que era Vila Nova de Ourém. Para a bica (e a "hipocrisia" do copo de água, como lhe chamava o Ezequiel...), para o convívio sadio e a bisbilhotice nem tanto...
Para uns, foi ontem; para outros, foi na pré-história. Alguns, já esqueceram; muitos, nunca souberam (ou não sabiam) que existiu. Mas o Café Avenida foi uma "instituição".
Antigamente, antes de..., a vila tinha o centro na praça e no Café Central. Não havia avenida. Havia subúrbios. Disto me lembro eu, como parecido virão a lembrar-se alguns quando o centro (ou um dos centros) da cidade for onde já começa a ser por via das "grandes superfícies", e onde se chegará por vias marginais sem passar pela avenida, esquecida já a estrada que foi rua central.
É assim a vida. Nem sempre bem, podendo ser, sempre!, melhor.
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Mas o Café Avenida foi uma "instituição". Com a novidade da sua porta rotativa, verdadeira maravilha para as crianças e os adolescentes da altura, como há pouco me lembrou uma menina de então. E uma dor de cabeça para o Ezequiel e o Fernando que tinham de evitar excessos desses "clientes" que muito gostavam de fazer rodar a porta, e nem uma "hipocrisia" (assim chamava o Ezequiel aos copos de água) consumiam...
Almoçava com uns amigos. Com menos mais de 40 anos que eu. Falávamos de... Ourém. E, às tantas, com toda a naturalidade, contei nem me lembro o quê que acontecera no Café Avenida. "Onde?", perguntaram eles em coro, "... houve cá na terra um Café Avenida?". Fiquei escandalizado.
E tiveram de me ouvir! Fui-me descandalizando. Para eles, para os meus amigos, ali, naquele canto em frente aos Correios, sempre foi a Marina... onde, se calhar, o D. Nuno Álvares Pereira se teria abastecido- na avenida com o seu nome - de borrachas para apagar os espanhóis em Aljubarrota, e teria comprado o Jornal de Negócios para saber como estavam as cotações na Bolsa.
E lembrar-me eu que ali, enquanto se construia o edifício dos Correios, cheguei a jogar futeboladas numa arenoso descampado...
Adiante. Não fiquei satisfeito. Não posso consentir que os meus amigos desconheçam que houve, em Ourém - perdão, em Vila Nova de Ourém - uma "instituição" chamada Café-restaurante Avenida. Não posso!
Vou publicar uma série de fotografias... históricas, e com legenda.
Esta é a primeira, publicada no Notícias de Ourém em Maio de 1953, depois da inauguração do café em 1 de Abril de 1953, como anúncio antes e relato, embora sem fotografia.
Foi aqui que soube da exposição de cartazes de Ary dos Santos na Biblioteca Municipal (Bom trabalho "Freixianda"!).
Tentei confirmar e ter mais informações e nada encontrei, nomeadamente do "site" do Município e nos espaços da BM e do Museu. Mas soube que tinha havido outras coisas, quer na BM, quer no MM, com iniciativas muito meritórias. Que tinha havido... Há necessidade de melhorar a informação/divulgação!