
terça-feira, 2 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Poraqui-por Ourém
Pelo Zambujal.
Hoje é o dia do bolinho.
Um dia importante. De vizinhança, de convívio, de solidariedade. Para todas as idades, com a miudagem a ser o cimento que nos une.
Como todos os anos, já sobre ele escrevi.
Como todos os anos, já sobre ele escrevi.
Quem estiver para isso, pode ler em o anónimo do sec.xxi.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Pontos onde devem ser postos
Dizia um amigo meu, um bocado para o "minhocas"... acrescente-se, que isso de pôr os pontos nos is é um disparate porque o i já lá tem o ponto e mais um, em cima daquele que dele é, fica sempre a mais.
Lembrei-me disto por causa da capa do Notícias de Ourém
de hoje. A grande chamada noticiosa é para uma foto da escola da Atouguia e... pontos nos is. Com merecimento de grande relevo no interior, na "página mais nobre", a página 3.
de hoje. A grande chamada noticiosa é para uma foto da escola da Atouguia e... pontos nos is. Com merecimento de grande relevo no interior, na "página mais nobre", a página 3.E assim de repente, vi-me no meio de um vulcão político à escla oureense, com o sr. presidente da Câmara a fazer das suas vulcânicas afirmações. Pelo que quero... fazer o ponto da situação sem colocar nenhum sobre o meu i (que já lá o tem...), até porque, dado o meu longo passado conspirador, não quero ver-me metido neste caso, ao que parece com atribuidos contornos conspirativo/subversivos.
Duas pessoas vizinhas e amigas passaram aqui por casa e convidaram-nos para irmos a um almoço de recolha de fundos e solidariedade para a escola da Atouguia. Disse logo que sim, se não tivéssemos outra obrigação maior. Ainda me pediram para falar ao Chichorro. Assim fiz e, como o Roberto também estava livre e disse que sim, lá fomos os três. E até levámos uns livros para reforçar a solidariedade.
Salão paroquial cheio, um ambiente agradável. Estranhei a ausência de alguém da Junta, mas disseram-me que o presidente tinha ido à pesca (ou foi à caça?). Tudo bem. Sublinho a presença de um deputado (e presidente da concelhia de Ourém do PS, se me não engano), mas não nessas qualidades, nem delas fazendo alarde, o que achei muito positivo.
Afinal, estava a participar num "caso" (que caso?), numa "coisa do outro mundo" (oh!, sr. presidente!)...
Se do almoço resultou uma significativa angariação de fundos para bons fins, se motivou um esclarecimento para quais os canais competentes para solucionar problemas, se provocou uma visita urgente das entidades oficiais para resolverem situações que estavam a precisar de ser resolvidas, ainda bem. O que era desnecessário era carregar os is com uns pontos destes em cima.
Todos sabemos que a imagem em política é importante, mas não vale exagerar!
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
As PPP em Ourém
Uma das “lebres” que este momento político levantou foi a das parcerias público-privadas (PPP), “fórmula” e designação curiosas que surgiram com grande impacto, particularmente em autarquias em busca de saídas de becos financeiros (ou de avenidas de oportunidades nem todas autárquicas e confessáveis…). O facto é que as pobres das PPP foram agora acusadas de algumas malfeitorias responsáveis pela situação de que se conhecem quais a causa e a responsabilidade - que não se querem reconhecer, nem à lei... do “Far-West”.
Não resisto a trazer um desses impactos PPP.
A uma reunião da Assembleia Municipal de Ourém do início de 2008, o então Presidente da Câmara trouxe a proposta de criação de uma PPP e, para explicar a “novidade”, fez-se acompanhar por um técnico desses que agora há que sabem muito de coisa nenhuma, que fez uma exposição de 55-minutos-55 a apresentar a mezinha (acta: «No intuito de caracterizar, em breves traços, o modelo “PPP – Parceria Público Privada”, esteve presente o Dr. Henrique Albuquerque que abordou de forma clara o fundamento do modelo referido, o qual está a ser implementado tanto em Portugal como em outros países europeus.»)
Na votação que se seguiu, dispensei-me – por falta de tempo! – de rebater a dissertação professoral que chumbaria qualquer aluno, e fiz, antes de votar, uma intervenção que me parece ter, agora, mais oportunidade que então:
Acta: «(...) Julgo compreender perfeitamente as motivações do senhor Presidente da Câmara. Há que ultrapassar, para a realização destes seus projectos, procedimentos administrativo-creditícios que já nem empresas municipais conseguem comportar, e vá de entrar pelo direito privado, com uma sociedade comercial anónima. No entanto, se não se põe em causa a utilidade de tais equipamentos, tudo o mais agride a nossa concepção de fim público e de uso colectivo. Por outro lado, há, ainda a questão prévia de ser feita tábua rasa da eventual articulação com cenários de verdadeiro mecenato, de que se conhece a predisposição e a possível parceria com colectividades, e a proposta poderia ficar pela construção evidentemente com benefício para os tão-só construtores, havendo outras modalidades para tudo o resto. Mas passemos adiante.
Considero que a prossecução de fim público e uso colectivo através de uma sociedade comercial anónima de direito privado representa uma verdadeira demissão do sector público das suas mais nobres funções. Citaria – vejam lá quem!... – o professor Adriano Moreira que disse que vivemos numa verdadeira teologia do mercado. Não obstante, haverá quem não venda a alma ao negócio para conseguir quaisquer que sejam os objectivos.
Senhora Presidente, Rimbaud falou do pobre turista ingénuo que, indiferente aos horrores económicos, tremia à passagem de cavalgadas e hordas. Turista não sou, ingénuo já deixei de ser, em nada me é indiferente o horror económico, de que Viviane Forrester fez um título de um livro que é um libelo. Nós, eleitos pelos nossos concidadãos para defender o interesse público, não podemos aceitar que não haja critérios diferentes para o que é – e com toda a legitimidade! – o interesse privado e para o que é o interesse público. Como perguntava Forrester: deixará de ser útil a vida do que não dá lucro aos lucros?
Como é evidente, e não obstante a compreensão para quem não encontra saídas senão no pragmatismo e para quem acha que deixou de haver almoços grátis, não aceito este caminho e votarei contra. Por princípio!
E basta.”
Esta intervenção foi transcrita na acta e, na reunião seguinte, no ponto de aprovação da acta anterior, tive de corrigir:
«(…) na página dez, décima quarta e décima quinta linhas as expressões “… em breves traços…” e “…de forma clara…” não deveriam figurar pois, no seu entender, a intervenção feita pelo Dr. Henrique Albuquerque (sobre os PPP) não foi breve nem clara, pelo que estes adjectivos deveriam ser retirados.»
Não resisto a trazer um desses impactos PPP.
A uma reunião da Assembleia Municipal de Ourém do início de 2008, o então Presidente da Câmara trouxe a proposta de criação de uma PPP e, para explicar a “novidade”, fez-se acompanhar por um técnico desses que agora há que sabem muito de coisa nenhuma, que fez uma exposição de 55-minutos-55 a apresentar a mezinha (acta: «No intuito de caracterizar, em breves traços, o modelo “PPP – Parceria Público Privada”, esteve presente o Dr. Henrique Albuquerque que abordou de forma clara o fundamento do modelo referido, o qual está a ser implementado tanto em Portugal como em outros países europeus.»)
Na votação que se seguiu, dispensei-me – por falta de tempo! – de rebater a dissertação professoral que chumbaria qualquer aluno, e fiz, antes de votar, uma intervenção que me parece ter, agora, mais oportunidade que então:
Acta: «(...) Julgo compreender perfeitamente as motivações do senhor Presidente da Câmara. Há que ultrapassar, para a realização destes seus projectos, procedimentos administrativo-creditícios que já nem empresas municipais conseguem comportar, e vá de entrar pelo direito privado, com uma sociedade comercial anónima. No entanto, se não se põe em causa a utilidade de tais equipamentos, tudo o mais agride a nossa concepção de fim público e de uso colectivo. Por outro lado, há, ainda a questão prévia de ser feita tábua rasa da eventual articulação com cenários de verdadeiro mecenato, de que se conhece a predisposição e a possível parceria com colectividades, e a proposta poderia ficar pela construção evidentemente com benefício para os tão-só construtores, havendo outras modalidades para tudo o resto. Mas passemos adiante.
Considero que a prossecução de fim público e uso colectivo através de uma sociedade comercial anónima de direito privado representa uma verdadeira demissão do sector público das suas mais nobres funções. Citaria – vejam lá quem!... – o professor Adriano Moreira que disse que vivemos numa verdadeira teologia do mercado. Não obstante, haverá quem não venda a alma ao negócio para conseguir quaisquer que sejam os objectivos.
Senhora Presidente, Rimbaud falou do pobre turista ingénuo que, indiferente aos horrores económicos, tremia à passagem de cavalgadas e hordas. Turista não sou, ingénuo já deixei de ser, em nada me é indiferente o horror económico, de que Viviane Forrester fez um título de um livro que é um libelo. Nós, eleitos pelos nossos concidadãos para defender o interesse público, não podemos aceitar que não haja critérios diferentes para o que é – e com toda a legitimidade! – o interesse privado e para o que é o interesse público. Como perguntava Forrester: deixará de ser útil a vida do que não dá lucro aos lucros?
Como é evidente, e não obstante a compreensão para quem não encontra saídas senão no pragmatismo e para quem acha que deixou de haver almoços grátis, não aceito este caminho e votarei contra. Por princípio!
E basta.”
Esta intervenção foi transcrita na acta e, na reunião seguinte, no ponto de aprovação da acta anterior, tive de corrigir:
«(…) na página dez, décima quarta e décima quinta linhas as expressões “… em breves traços…” e “…de forma clara…” não deveriam figurar pois, no seu entender, a intervenção feita pelo Dr. Henrique Albuquerque (sobre os PPP) não foi breve nem clara, pelo que estes adjectivos deveriam ser retirados.»
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Mea culpa
(à Vilas Boas)
.
.
Li o longuíssimo suspiro com que Sérgio Faria reage ao que escrevi reagindo a um texto de um tal Nicky Florentino, personagem danada de sua criação mas que não existe e, ao que parece, apenas por descaminho fantasmagórico anda pelo miradouro de o castelo (agregador de "blogs" oureenses, diga-se). Mas tudo isto deve ser confusão minha que ando a ver fantasmas e sou dado a esoterismos, com reflexos em errados endereços e conteúdos que fazem suspirar enfastiadamente Sérgio Faria. Mea culpa.
Li uma vez o que me foi endereçado, e vou tentar poupar-me a ler segunda vez, pelo que agravarei, decerto, as minhas confusões sobre construções ficccionais, cuja subtil teia seria incapaz de totalmente abarcar ou de nelas embarcar. Já a pessoana me é difícil.
Este é o único ponto que quero esclarecer. O das minhas confusões. E esclarecido está.
Li uma vez o que me foi endereçado, e vou tentar poupar-me a ler segunda vez, pelo que agravarei, decerto, as minhas confusões sobre construções ficccionais, cuja subtil teia seria incapaz de totalmente abarcar ou de nelas embarcar. Já a pessoana me é difícil.
Este é o único ponto que quero esclarecer. O das minhas confusões. E esclarecido está.
Assim quer Sérgio Faria? Assim seja, ou tenha sido feito.
Quando ao resto, nada a fazer. Tenho pena, e mais ainda por não reconhecer reciprocidade.
Apenas peço que Sérgio Faria, diga o que quiser, não mais se refira às minhas prisões.
Quando ao resto, nada a fazer. Tenho pena, e mais ainda por não reconhecer reciprocidade.
Apenas peço que Sérgio Faria, diga o que quiser, não mais se refira às minhas prisões.
E acrescento que é tarde para deixar de ter a calejada falta de tempo e de jeito para conversas destas. Não porque não goste de esgrima, embora mais de florete e nada de espadeirada, mas porque quero ocupar o resto da minha vida a cumprir o partido que tomei (redundo no sublinhado da pequenez da letra p de partido), de procurar fazer o melhor que puder, ainda que nada seja, por 10 milhões de conterrâneos e vindouros, de centenas de milhar de milhões de chineses e vindouros, de 5 cubanos em Miami, de um chinês em Pequim, para denunciar o que se está mesmo a ver ser ludíbrio (lista com muitos itens a intercalar, sem que perturbem uma hierarquia de prioridades). Agora, ocupam-me sobretudo os PECs, OE para 2011, a Greve Geral e essas coisas tão menores e, para tantos directamente interessados, tão desinteressantes.
Et par le pouvoir d’un mot
je recommence ma vie,
je suis né pour te nommer,
pour te connaître :
liberté
(Eluard)
je recommence ma vie,
je suis né pour te nommer,
pour te connaître :
liberté
(Eluard)
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Prémio Nobel da Paz - a prova que faltava
Eu bem desconfiava. Mas faltava-me a prova, preto no branco.
É que, sendo o Prémio Nobel da Paz atribuído, ao que parece segundo o benemérito descobridor da pólvora, à “pessoa que tivesse feito a maior ou melhor acção pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz", não encontrava justificação para a atribuição deste galardão àquele chinês que está preso por razões chinesas, por mais discutíveis que estas sejam (depois de conhecidas, acho eu…).
Embora desconfiasse de outras razões, certo estava que não era pelo critério explícito de "acções pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz". E eis que, em Ourém, um conterrâneo e homónimo por quem tenho, habitualmente, respeito e admiração, me veio esclarecer. O laureado do Prémio Nobel da Paz foi-o por estar “encarcerado por apelar às condições de liberdade dos chineses”, e será esse o novo critério para atribuir o prémio (embora não se tenha acrescentado ao título "dos encarcerados por apelarem a condições de liberdade seja de quem for e pela forma que for"). Critério para este ano, porque o ano passado foi outro também não concordante com o traiçoeiro título…
Assim, o conterrâneo tira, evidentemente, toda a razão ao PCP - a que, “carinhosamente”, apelida de “vanguarda nacional dos operários e desvalidos” (*) - para verberar esta atribuição em que o partido, que seria cego, terá visto intenções perversas, perdão, desviadas do critério da atribuição de tal prémio.
Mas, já agora, de uma desconfiança para outra, desconfio que há alguma má vontade, quiçá preconceito, deste nosso conterrâneo relativamente a esse dito partido (que é o meu!), que até se atreve a incluir entre os desvalidos que lhe justificam a existência, milhares de milhões de chineses que estão a libertar-se ano a ano, penosamente mas cheios de “ajudas”, da liberdade de viver miseravelmente, ou de morrer rapidamente.
______________________________________
(*) – os estatutos dizem “partido da classe operária e de todos os trabalhadores portugueses”.
É que, sendo o Prémio Nobel da Paz atribuído, ao que parece segundo o benemérito descobridor da pólvora, à “pessoa que tivesse feito a maior ou melhor acção pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz", não encontrava justificação para a atribuição deste galardão àquele chinês que está preso por razões chinesas, por mais discutíveis que estas sejam (depois de conhecidas, acho eu…).
Embora desconfiasse de outras razões, certo estava que não era pelo critério explícito de "acções pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz". E eis que, em Ourém, um conterrâneo e homónimo por quem tenho, habitualmente, respeito e admiração, me veio esclarecer. O laureado do Prémio Nobel da Paz foi-o por estar “encarcerado por apelar às condições de liberdade dos chineses”, e será esse o novo critério para atribuir o prémio (embora não se tenha acrescentado ao título "dos encarcerados por apelarem a condições de liberdade seja de quem for e pela forma que for"). Critério para este ano, porque o ano passado foi outro também não concordante com o traiçoeiro título…
Assim, o conterrâneo tira, evidentemente, toda a razão ao PCP - a que, “carinhosamente”, apelida de “vanguarda nacional dos operários e desvalidos” (*) - para verberar esta atribuição em que o partido, que seria cego, terá visto intenções perversas, perdão, desviadas do critério da atribuição de tal prémio.
Mas, já agora, de uma desconfiança para outra, desconfio que há alguma má vontade, quiçá preconceito, deste nosso conterrâneo relativamente a esse dito partido (que é o meu!), que até se atreve a incluir entre os desvalidos que lhe justificam a existência, milhares de milhões de chineses que estão a libertar-se ano a ano, penosamente mas cheios de “ajudas”, da liberdade de viver miseravelmente, ou de morrer rapidamente.
______________________________________
(*) – os estatutos dizem “partido da classe operária e de todos os trabalhadores portugueses”.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Artur de Oliveira Santos
Para a colaboração regular que então mantinha no Notícias de Ourém, no dia 21 de Janeiro de 2000 (dia em que o meu pai faria 102 anos) escrevi este texto, depois publicado. Lembrava-me de o ter escrito, procurei-o e, surpreendentemente, encontrei-o. É um extracto desse texto o que, hoje, 5 de Outubro de 2010, por-aqui/por-ourém quero deixar:
O MEU TIPO INESQUECÍVEL
ou
A FIGURA OUREENSE DO SÉCULO
ou
A FIGURA OUREENSE DO SÉCULO
(...) Nas Seleções, que me irritavam por terem, logo na capa e título, um erro que a língua portuguesa não deveria perdoar, havia, no entanto, secções (ou deveria escrever seções?...) que lia com interesse e talvez algum proveito. À boa maneira norte-americana, o retrato de uma figura importante para um qualquer autor preenchia “O meu tipo inesquecível”. E o dito autor desenhava o retrato de um homem (ou mulher... mas muito menos) de que só havia coisas boas a dizer, mesmo que algumas fossem ternamente malandras. Uma humanidade a deitar por fora, e nem sempre a soar a verdadeira!
Pois bem, ao longo da minha vida fui encontrando alguns “tipos inesquecíveis”. Lembrei-me disto porquê? Porque se está agora numa onda semelhante, com a procura de quem é o “tipo inesquecível” do século. Então, porque não “entrar na onda” e procurar quem teria sido a figura oureense do século.
Para mim, que muito vivi do século – do que já passou e espero ainda viver dos mais de onze meses que ainda faltam para ele acabar –, para mim, sem hesitação, essa figura, “o meu tipo inesquecível”, foi Artur de Oliveira Santos.
Aliás, Artur de Oliveira Santos começou o século, embora ainda muito novo, já como uma figura marcante na sociedade de Ourém enquanto destacado propagandista republicano, muito activo, com uma intervenção permanente, sobretudo no campo da imprensa.
Esta breve nota biográfica (minha ou de Artur de Oliveira Santos?!) não pretende mais do que prestar testemunho e homenagem. A figura de Artur de Oliveira Santos merece uma investigação bio-bibliográfica séria, exaustiva, e não está entre as minhas formações, experiências e vocações esse tipo de trabalhos.
De qualquer modo, impressiona pegar em velhos jornais – em A Voz de Ourém, de 1908! – e ver o nome de Artur de Oliveira Santos, então talvez a rondar os 30 anos, na ficha técnica, como director, e encontrar, na última página, um anúncio de um quarto de página de uma oficina e estabelecimento de funileiro, com o nome de A Social e a propriedade de Artur de Oliveira Santos.
Tive o privilégio de conviver com Artur de Oliveira Santos, que morreu quando eu tinha perto de 20 anos. Encontrava-o em todas as iniciativas dos oureenses residentes em Lisboa, onde o meu pai me começou a levar... antes mesmo de ter nascido.
Assim fui conhecendo algumas histórias da História, por vezes por pergunta directa de um miúdo atrevido e sempre recebido com grande carinho. Histórias dos primórdios da República, histórias de Fátima, histórias da guerra civil de Espanha (onde, como enfermeiro, socorreu muitos combatentes), das prisões, dos tempos de fuga e esconderijo, da solidariedade de tantos oureenses que o acolhiam e até tinham divisões das suas casas adaptadas a “esconderijos para o Artur”. E li muito artigo, quer por si assinados, quer sob o pseudónimo de João de Ourém, revelando todos, mesmo aqueles em que aparentemente mais valorizava a polémica, um conhecimento da história de Ourém, uma cultura, uma preocupação pedagógica, um “amor pela terra”, que muito me ajudaram a construir essa imagem de “meu tipo inesquecível”.
E de figura oureense do século XX!
.
Pois bem, ao longo da minha vida fui encontrando alguns “tipos inesquecíveis”. Lembrei-me disto porquê? Porque se está agora numa onda semelhante, com a procura de quem é o “tipo inesquecível” do século. Então, porque não “entrar na onda” e procurar quem teria sido a figura oureense do século.
Para mim, que muito vivi do século – do que já passou e espero ainda viver dos mais de onze meses que ainda faltam para ele acabar –, para mim, sem hesitação, essa figura, “o meu tipo inesquecível”, foi Artur de Oliveira Santos.
Aliás, Artur de Oliveira Santos começou o século, embora ainda muito novo, já como uma figura marcante na sociedade de Ourém enquanto destacado propagandista republicano, muito activo, com uma intervenção permanente, sobretudo no campo da imprensa.
Esta breve nota biográfica (minha ou de Artur de Oliveira Santos?!) não pretende mais do que prestar testemunho e homenagem. A figura de Artur de Oliveira Santos merece uma investigação bio-bibliográfica séria, exaustiva, e não está entre as minhas formações, experiências e vocações esse tipo de trabalhos.
De qualquer modo, impressiona pegar em velhos jornais – em A Voz de Ourém, de 1908! – e ver o nome de Artur de Oliveira Santos, então talvez a rondar os 30 anos, na ficha técnica, como director, e encontrar, na última página, um anúncio de um quarto de página de uma oficina e estabelecimento de funileiro, com o nome de A Social e a propriedade de Artur de Oliveira Santos.
Tive o privilégio de conviver com Artur de Oliveira Santos, que morreu quando eu tinha perto de 20 anos. Encontrava-o em todas as iniciativas dos oureenses residentes em Lisboa, onde o meu pai me começou a levar... antes mesmo de ter nascido.
Assim fui conhecendo algumas histórias da História, por vezes por pergunta directa de um miúdo atrevido e sempre recebido com grande carinho. Histórias dos primórdios da República, histórias de Fátima, histórias da guerra civil de Espanha (onde, como enfermeiro, socorreu muitos combatentes), das prisões, dos tempos de fuga e esconderijo, da solidariedade de tantos oureenses que o acolhiam e até tinham divisões das suas casas adaptadas a “esconderijos para o Artur”. E li muito artigo, quer por si assinados, quer sob o pseudónimo de João de Ourém, revelando todos, mesmo aqueles em que aparentemente mais valorizava a polémica, um conhecimento da história de Ourém, uma cultura, uma preocupação pedagógica, um “amor pela terra”, que muito me ajudaram a construir essa imagem de “meu tipo inesquecível”.
E de figura oureense do século XX!
.
_____________________________
da página 57 de Nos 50 anos da Casa de Ourém, 10º almoço dos oureenses em Lisboa, 18.06.1944 (posso identificar, quase um a um, AOS é o primeiro sentado no lado direito, e estou entre ele e a minha mãe):
(...)

(...)
Etiquetas:
5 de Outubro,
Artur de Oliveira Santos
Subscrever:
Mensagens (Atom)
