sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Prémio Nobel da Paz - a prova que faltava

Eu bem desconfiava. Mas faltava-me a prova, preto no branco.
É que, sendo o Prémio Nobel da Paz atribuído, ao que parece segundo o benemérito descobridor da pólvora, à “pessoa que tivesse feito a maior ou melhor acção pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz", não encontrava justificação para a atribuição deste galardão àquele chinês que está preso por razões chinesas, por mais discutíveis que estas sejam (depois de conhecidas, acho eu…).
Embora desconfiasse de outras razões, certo estava que não era pelo critério explícito de "acções pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz". E eis que, em Ourém, um conterrâneo e homónimo por quem tenho, habitualmente, respeito e admiração, me veio esclarecer. O laureado do Prémio Nobel da Paz foi-o por estar “encarcerado por apelar às condições de liberdade dos chineses”, e será esse o novo critério para atribuir o prémio (embora não se tenha acrescentado ao título "dos encarcerados por apelarem a condições de liberdade seja de quem for e pela forma que for"). Critério para este ano, porque o ano passado foi outro também não concordante com o traiçoeiro título…

Assim, o conterrâneo tira, evidentemente, toda a razão ao PCP - a que, “carinhosamente”, apelida de “vanguarda nacional dos operários e desvalidos” (*) - para verberar esta atribuição em que o partido, que seria cego, terá visto intenções perversas, perdão, desviadas do critério da atribuição de tal prémio.
Mas, já agora, de uma desconfiança para outra, desconfio que há alguma má vontade, quiçá preconceito, deste nosso conterrâneo relativamente a esse dito partido (que é o meu!), que até se atreve a incluir entre os desvalidos que lhe justificam a existência, milhares de milhões de chineses que estão a libertar-se ano a ano, penosamente mas cheios de “ajudas”, da liberdade de viver miseravelmente, ou de morrer rapidamente.
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(*) – os estatutos dizem “partido da classe operária e de todos os trabalhadores portugueses”.

1 comentário:

Sérgio Faria disse...

a quem interessar - e porque a talhe de foice e martelo fui metido ao barulho aqui -, há reacção minha acolá.