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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Crónica ou folhetim

O IC9
De desejado a insuportável
– uma saga inacabada

O IC9 era para ser uma via que ligaria Tomar a Leiria com Ourém no meio (é pelo menos assim que se lembra).
Foi desejado, foi reivindicado, foi adiado e adiado. Há documentos e intervenções em instâncias oficiais, locais e centrais, que o comprovam fartamente.
Esta - a do desejo - teria sido a primeira fase, a adiada, de um projecto anunciado.

Depois veio a fase da confusão do traçado e dos nós. O que deveria ter sido trabalho técnico e sério, não se tem a certeza de que tenha sido sério, duvida-se da qualidade técnica de tal maneira vinham embrulhadas, vinham atrapalhadas as decisões e as alternativas sucessivas. E mutantes, com os nós a deslocarem-se daqui para acolá, claramente – sem ser às claras…– à mercê de influências, cunhas, clientelas, negócios de terrenos.
Sem se dar por isso, ou não se querendo que por isso fosse dado, uma ponta foi ficando em Tomar como nascente ou chegada de afluentes, mas a outra foi mudando de sítio, deixou de ser Leiria e ficou algo suspensa, mais aqui mais ali, com A1 e outros números a serem futura foz. Pelo menos, assim o ia interpretando os leigos que se queriam informados.

E começou a fase da construção. Atribulada, com falências e outras turbulências. Pelo que esta fase se tem prolongado tanto e tanto que torna mais que atrapalhado o trânsito e muito agitados, ruidosos, empoeirados, os viveres das gentes dos lugares.
Gentes que protestam, primeiro com alguma resignação – tem de ser, tem de ser... paciência –, depois com irritação – não podia ser de outra maneira?... que chatice! –, começa a ser de indignação – porque é que se fez assim?, porque é que não se faz assim?... porra!.

Parece ter-se entrado numa fase de movimentações. Há delegações às instituições, há público a protestar nos sítios criados para o público se manifestar, há providências cautelares aos pares e em correria para que uma não chegue antes da outra... mas ambas sem eficácia, há obras como a lesma e parece que sempre tudo na mesma. Por isso, há quem se mexa.

Até porque, agora, parece que se está na fase dos túneis e das passagens agrícolas, que estavam projectadas para aqui, que aqui foram previstas pelos de cá, e que estão a desenhar-se para ali, e que ali são bem vistas pelos de lá mas mal vistas pelos de cá, surpreendidos por deixarem de as ter e sem nada lhes ter sido dito. Por isso protestam e abaixo-assinam. Mexem-se.

Depois de tanto terem suportado para terem o desejado, começa a ser insuportável o modo como não vão tendo o que queriam, mas tendo o que não queriam ter ou não onde queriam ter, ou que deixaram de ter onde tinham.

Alguma coisa é preciso fazer. Apesar de quem tem férias estar em férias.

terça-feira, 1 de março de 2011

IC9 e tuneis com pouca luz ao fundo

A mais que desejada, a almejada construção do IC9 tornou-se num pesadelo. Já nem se fala, até porque parecem esquecidos, dos objectivos de ligar Tomar a Leiria com Ourém no meio, ou da complicada negociação dos nós (nós para aqui, nós para ali… e nós a vermos!).
O pesadelo, sobrepondo-se a esperanças nascidas e a dificuldades vencidas, foi e continua, sobretudo, para alguns habitantes deste nosso concelho. Que muito se têm queixado.
Por isso mesmo, na reunião da Assembleia Municipal de 28 de Fevereiro, o Presidente da Câmara, na sua informação antes da ordem do dia, referiu-se às queixas, que notificara e reunira com os empreiteiros, que estes se comprometeram mas que, posteriormente, surgiram outros problemas, como foi o do túnel na freguesia da Gondemaria que (cito) "avançava com o total desconhecimento do Município", de onde... mais reuniões e a situação de tal modo grave que o Presidente afirmou que, a continuarem assim as coisas, (cito de novo) "a Câmara Municipal irá avançar com uma providência cautelar para o cumprimento da legislação e do PDM".
Ainda sobre o assunto, naquele ponto (antes) da ordem de trabalhos, o Presidente da Junta da Atouguia pediu mais esclarecimentos, pois o dito túnel não atravessará apenas a freguesia da Gondemaria.
E por aqui nos teríamos ficado se não tivesse chegado, atrasado, o Presidente desta Junta que, logo que pôde, pediu desculpas pelo atraso e informou que, tendo escrito ao executivo, há mês e meio, sobre o IC9 propondo várias medidas e, entre elas, uma providência cautelar, na ausência de resposta, resolvera a Junta avançar com uma acção judicial sua contra o Instituto das Estradas.
Perante algum silêncio constrangedor, um balbucio de que o Presidente se referira ao assunto e o risco de passagem a um qualquer ponto seguinte, fiz uma intervenção intempestiva com a única finalidade de chamar a atenção para a gravidade de, perante uma situação que parece justificar acções do Município contra o Estado, ou empreiteiros por sua conta, se colocar a possibilidade de a Câmara e uma Junta tomarem posições eventualmente paralelas, que são aquelas que nunca se encontram..., chegando a perguntar se isso se devia a ter sido a Junta ganha por força partidária diferente da que ganhou a Câmara (o que foi veementemente recusado...), e apelando a que se entendessem para apenas haver uma posição do Município em situação tão delicada e que tanto, e há tanto tempo, incomoda seriamente os munícipes, perturbando o quotidiano de muita gente.
Que assim seja!