sábado, 18 de dezembro de 2010

... e uma coisa chamada democracia?

Alguma perplexidade ou estranheza. Apenas alguma.
É de tristeza o sentimento; é de repúdio a reacção; é irritado o pensamento; será sempre de luta a acção! E enquanto...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Inexplicável!

Ao tomar conhecimento, aqui, da ausência do Presidente da Câmara na reunião do executivo em que se aprova o orçamento municipal pareceu-me, bem mais que estranha, inexplicável.
Ou melhor, apenas seria explicável por motivos de doença (e desejar-se-ia, com toda a sinceridade, rápido restabelecimento) ou de serviço (e teria de ser algo de muito importante para ser mais importante que a discusão e aprovação, em sede de executivo, do documento fundamental da gestão)... agora por motivo "de férias" é inexplicável!
Pelo menos, por enquanto.

Vão acontecendo coisas...

Por mal dos meus pecados (e tantos serão...) não estaremos cá.
Que corra bem! Isto é, com muita gente a assistir e a participar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Francisco Vieira de Figueiredo no Museu


Lá estarei. Com muito gosto.
Com uma questão prévia: sendo um homem que nasceu no Zambujal, e tendo sido uma importante personagem do século XVII, poderá dizer-se que Francisco Vieira de Figueiredo, que saíu desta terra, onde estou e vivo, com 10/12 anos e que aqui não voltou, é um cidadão do Zambujal?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Work in progress...

É com muito gosto que, com autorização do autor (PVH 8775), publico neste espaço uma excelente foto do conterrâneo Paulo Vaz Henriques - Work in progress... (depois da NATO mãos à obra).



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E, depois, vou encerrar este "blog e todo o expediente", por 24 horas...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Palavras que foram úteis

As palavras da anterior mensagem não foram desnecessárias. Pelo contrário!
Não dei grande importância ao caso mas apraz-me dizer que, no portal do Município de Ourém, as palavras ditas e escritas foram tidas em conta, e tive um telefonema de explicações que só honra quem as dá.
Registo!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Palavras eventualmente desnecessárias

Ao contrário do que possa parecer, não gosto de polémicas. Mas gosto de conversar, de discutir, de debater... o que só é possível com quem não pensa (sempre!) como eu.

Pode parecer contraditório... mas o homem é feito de contradições. Mais: também de contra dições.

Parecendo - ou não - tendência para polemizar, não sou capaz de ter para dizer e não o dizer. A não ser quando me convenço (ou me convenceram...) que não vale a pena, que o diálogo se tornou em dois monólogos.

Vem isto a propósito de um rectificação que entendi dever fazer ao que foi dito que eu teria dito sobre Artur de Oliveira Santos. Rectificação que pode não ter ficado muito clara.

Já disse o que disse, e já repeti o que disse. E explico porque insisto: porque está completamente fora das minhas posições essa questão do único, do nº 1, do maior ou do melhor de todos. Qualquer um de nós, seja quem for e sempre, é também os outros.

Como poderia ter ficado a ideia de que o meu querido Artur de Oliveira Santos, o "meu tipo inesquecível" (usando uma expressão das antigas Selecções do Reader's Digest), "a* figura oureense do século XX! E, vejo agora, do século XXI!", seria por mim comparado, para escolher uma como a melhor ou a maior, com outras figuras nacionais e internacionais que tive a oportunidade de conhecer, isso resulta de deficiente expressão minha. Porque... não há!

Fiquemo-nos pela afirmação de que incluiria o seu nome em qualquer lista de figuras que mais me influenciaram, daquelas que tive um grande prazer de conhecer e de que mais gosto de falar.
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* - parece totalmente coerente, ou para ser menos contraditório, deveria retirar este "a" pois AOS foi... "figura oureense do século XX! E, vejo agora, do século XXI", e assim deveria ter terminado a minha intervenção.

O que eu disse sobre Artur de Oliveira Santos foi...

... entre outras coisas...
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«... se tivesse de escolher uma figura histórica para estar em qualquer lista entre aqueles que conheci e de que sinto a obrigação e o gosto de falar, nessa lista estaria Artur de Oliveira Santos. E nenhum outro andou comigo ao colo, ou me sentou, como se pode ver (mal) no 10º almoço dos oureenses, nos seus joelhos. Aliás, bem ossudos.»
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... como, aliás, se pode ouvir no blog sobre-ourém, a partir do "post" olocado por Sérgio Faria.

domingo, 14 de novembro de 2010

Aconteceu no Museu!


Depois da excelente exposição de Poças das Neves, perante uma sala cheia, com familiares e amigos - quase todos comovidos na lembrança de um homem bom e tão vilipendiado - dei alguns modesto testemunho, de que escolho um :

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«(...) se tivesse de escolher uma figura histórica para estar em qualquer lista entre aqueles que conheci e de que sinto a obrigação e o gosto de falar, nessa lista estaria Artur de Oliveira Santos. E nenhum outro andou comigo ao colo, ou me sentou, como se pode ver (mal) no 10º almoço dos oureenses, nos seus joelhos. Aliás, bem ossudos (...).»

Plenário de militantes e amigos do PCP


terça-feira, 2 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Poraqui-por Ourém

Pelo Zambujal.
Hoje é o dia do bolinho.
Um dia importante. De vizinhança, de convívio, de solidariedade. Para todas as idades, com a miudagem a ser o cimento que nos une.
Como todos os anos, já sobre ele escrevi.
Quem estiver para isso, pode ler em o anónimo do sec.xxi.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pontos onde devem ser postos

Dizia um amigo meu, um bocado para o "minhocas"... acrescente-se, que isso de pôr os pontos nos is é um disparate porque o i já lá tem o ponto e mais um, em cima daquele que dele é, fica sempre a mais.

Lembrei-me disto por causa da capa do Notícias de Ourém de hoje. A grande chamada noticiosa é para uma foto da escola da Atouguia e... pontos nos is. Com merecimento de grande relevo no interior, na "página mais nobre", a página 3.

E assim de repente, vi-me no meio de um vulcão político à escla oureense, com o sr. presidente da Câmara a fazer das suas vulcânicas afirmações. Pelo que quero... fazer o ponto da situação sem colocar nenhum sobre o meu i (que já lá o tem...), até porque, dado o meu longo passado conspirador, não quero ver-me metido neste caso, ao que parece com atribuidos contornos conspirativo/subversivos.

Duas pessoas vizinhas e amigas passaram aqui por casa e convidaram-nos para irmos a um almoço de recolha de fundos e solidariedade para a escola da Atouguia. Disse logo que sim, se não tivéssemos outra obrigação maior. Ainda me pediram para falar ao Chichorro. Assim fiz e, como o Roberto também estava livre e disse que sim, lá fomos os três. E até levámos uns livros para reforçar a solidariedade.

Salão paroquial cheio, um ambiente agradável. Estranhei a ausência de alguém da Junta, mas disseram-me que o presidente tinha ido à pesca (ou foi à caça?). Tudo bem. Sublinho a presença de um deputado (e presidente da concelhia de Ourém do PS, se me não engano), mas não nessas qualidades, nem delas fazendo alarde, o que achei muito positivo.

Afinal, estava a participar num "caso" (que caso?), numa "coisa do outro mundo" (oh!, sr. presidente!)...

Se do almoço resultou uma significativa angariação de fundos para bons fins, se motivou um esclarecimento para quais os canais competentes para solucionar problemas, se provocou uma visita urgente das entidades oficiais para resolverem situações que estavam a precisar de ser resolvidas, ainda bem. O que era desnecessário era carregar os is com uns pontos destes em cima.

Todos sabemos que a imagem em política é importante, mas não vale exagerar!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

As PPP em Ourém

Uma das “lebres” que este momento político levantou foi a das parcerias público-privadas (PPP), “fórmula” e designação curiosas que surgiram com grande impacto, particularmente em autarquias em busca de saídas de becos financeiros (ou de avenidas de oportunidades nem todas autárquicas e confessáveis…). O facto é que as pobres das PPP foram agora acusadas de algumas malfeitorias responsáveis pela situação de que se conhecem quais a causa e a responsabilidade - que não se querem reconhecer, nem à lei... do “Far-West”.
Não resisto a trazer um desses impactos PPP.
A uma reunião da Assembleia Municipal de Ourém do início de 2008, o então Presidente da Câmara trouxe a proposta de criação de uma PPP e, para explicar a “novidade”, fez-se acompanhar por um técnico desses que agora há que sabem muito de coisa nenhuma, que fez uma exposição de 55-minutos-55 a apresentar a mezinha (acta: «No intuito de caracterizar, em breves traços, o modelo “PPP – Parceria Público Privada”, esteve presente o Dr. Henrique Albuquerque que abordou de forma clara o fundamento do modelo referido, o qual está a ser implementado tanto em Portugal como em outros países europeus.»)
Na votação que se seguiu, dispensei-me – por falta de tempo! – de rebater a dissertação professoral que chumbaria qualquer aluno, e fiz, antes de votar, uma intervenção que me parece ter, agora, mais oportunidade que então:
Acta: «(...) Julgo compreender perfeitamente as motivações do senhor Presidente da Câmara. Há que ultrapassar, para a realização destes seus projectos, procedimentos administrativo-creditícios que já nem empresas municipais conseguem comportar, e vá de entrar pelo direito privado, com uma sociedade comercial anónima. No entanto, se não se põe em causa a utilidade de tais equipamentos, tudo o mais agride a nossa concepção de fim público e de uso colectivo. Por outro lado, há, ainda a questão prévia de ser feita tábua rasa da eventual articulação com cenários de verdadeiro mecenato, de que se conhece a predisposição e a possível parceria com colectividades, e a proposta poderia ficar pela construção evidentemente com benefício para os tão-só construtores, havendo outras modalidades para tudo o resto. Mas passemos adiante.
Considero que a prossecução de fim público e uso colectivo através de uma sociedade comercial anónima de direito privado representa uma verdadeira demissão do sector público das suas mais nobres funções. Citaria – vejam lá quem!... – o professor Adriano Moreira que disse que vivemos numa verdadeira teologia do mercado. Não obstante, haverá quem não venda a alma ao negócio para conseguir quaisquer que sejam os objectivos.
Senhora Presidente, Rimbaud falou do pobre turista ingénuo que, indiferente aos horrores económicos, tremia à passagem de cavalgadas e hordas. Turista não sou, ingénuo já deixei de ser, em nada me é indiferente o horror económico, de que Viviane Forrester fez um título de um livro que é um libelo. Nós, eleitos pelos nossos concidadãos para defender o interesse público, não podemos aceitar que não haja critérios diferentes para o que é – e com toda a legitimidade! – o interesse privado e para o que é o interesse público. Como perguntava Forrester: deixará de ser útil a vida do que não dá lucro aos lucros?
Como é evidente, e não obstante a compreensão para quem não encontra saídas senão no pragmatismo e para quem acha que deixou de haver almoços grátis, não aceito este caminho e votarei contra. Por princípio!
E basta.”

Esta intervenção foi transcrita na acta e, na reunião seguinte, no ponto de aprovação da acta anterior, tive de corrigir:
«(…) na página dez, décima quarta e décima quinta linhas as expressões “… em breves traços…” e “…de forma clara…” não deveriam figurar pois, no seu entender, a intervenção feita pelo Dr. Henrique Albuquerque (sobre os PPP) não foi breve nem clara, pelo que estes adjectivos deveriam ser retirados.»

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Mea culpa

(à Vilas Boas)
.
Li o longuíssimo suspiro com que Sérgio Faria reage ao que escrevi reagindo a um texto de um tal Nicky Florentino, personagem danada de sua criação mas que não existe e, ao que parece, apenas por descaminho fantasmagórico anda pelo miradouro de o castelo (agregador de "blogs" oureenses, diga-se). Mas tudo isto deve ser confusão minha que ando a ver fantasmas e sou dado a esoterismos, com reflexos em errados endereços e conteúdos que fazem suspirar enfastiadamente Sérgio Faria. Mea culpa.
Li uma vez o que me foi endereçado, e vou tentar poupar-me a ler segunda vez, pelo que agravarei, decerto, as minhas confusões sobre construções ficccionais, cuja subtil teia seria incapaz de totalmente abarcar ou de nelas embarcar. Já a pessoana me é difícil.
Este é o único ponto que quero esclarecer. O das minhas confusões. E esclarecido está.
Assim quer Sérgio Faria? Assim seja, ou tenha sido feito.
Quando ao resto, nada a fazer. Tenho pena, e mais ainda por não reconhecer reciprocidade.
Apenas peço que Sérgio Faria, diga o que quiser, não mais se refira às minhas prisões.
E acrescento que é tarde para deixar de ter a calejada falta de tempo e de jeito para conversas destas. Não porque não goste de esgrima, embora mais de florete e nada de espadeirada, mas porque quero ocupar o resto da minha vida a cumprir o partido que tomei (redundo no sublinhado da pequenez da letra p de partido), de procurar fazer o melhor que puder, ainda que nada seja, por 10 milhões de conterrâneos e vindouros, de centenas de milhar de milhões de chineses e vindouros, de 5 cubanos em Miami, de um chinês em Pequim, para denunciar o que se está mesmo a ver ser ludíbrio (lista com muitos itens a intercalar, sem que perturbem uma hierarquia de prioridades). Agora, ocupam-me sobretudo os PECs, OE para 2011, a Greve Geral e essas coisas tão menores e, para tantos directamente interessados, tão desinteressantes.
Et par le pouvoir d’un mot
je recommence ma vie,
je suis né pour te nommer,
pour te connaître :
liberté

(Eluard)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Prémio Nobel da Paz - a prova que faltava

Eu bem desconfiava. Mas faltava-me a prova, preto no branco.
É que, sendo o Prémio Nobel da Paz atribuído, ao que parece segundo o benemérito descobridor da pólvora, à “pessoa que tivesse feito a maior ou melhor acção pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz", não encontrava justificação para a atribuição deste galardão àquele chinês que está preso por razões chinesas, por mais discutíveis que estas sejam (depois de conhecidas, acho eu…).
Embora desconfiasse de outras razões, certo estava que não era pelo critério explícito de "acções pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz". E eis que, em Ourém, um conterrâneo e homónimo por quem tenho, habitualmente, respeito e admiração, me veio esclarecer. O laureado do Prémio Nobel da Paz foi-o por estar “encarcerado por apelar às condições de liberdade dos chineses”, e será esse o novo critério para atribuir o prémio (embora não se tenha acrescentado ao título "dos encarcerados por apelarem a condições de liberdade seja de quem for e pela forma que for"). Critério para este ano, porque o ano passado foi outro também não concordante com o traiçoeiro título…

Assim, o conterrâneo tira, evidentemente, toda a razão ao PCP - a que, “carinhosamente”, apelida de “vanguarda nacional dos operários e desvalidos” (*) - para verberar esta atribuição em que o partido, que seria cego, terá visto intenções perversas, perdão, desviadas do critério da atribuição de tal prémio.
Mas, já agora, de uma desconfiança para outra, desconfio que há alguma má vontade, quiçá preconceito, deste nosso conterrâneo relativamente a esse dito partido (que é o meu!), que até se atreve a incluir entre os desvalidos que lhe justificam a existência, milhares de milhões de chineses que estão a libertar-se ano a ano, penosamente mas cheios de “ajudas”, da liberdade de viver miseravelmente, ou de morrer rapidamente.
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(*) – os estatutos dizem “partido da classe operária e de todos os trabalhadores portugueses”.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Artur de Oliveira Santos

Para a colaboração regular que então mantinha no Notícias de Ourém, no dia 21 de Janeiro de 2000 (dia em que o meu pai faria 102 anos) escrevi este texto, depois publicado. Lembrava-me de o ter escrito, procurei-o e, surpreendentemente, encontrei-o. É um extracto desse texto o que, hoje, 5 de Outubro de 2010, por-aqui/por-ourém quero deixar:




O MEU TIPO INESQUECÍVEL
ou
A FIGURA OUREENSE DO SÉCULO


(...) Nas Seleções, que me irritavam por terem, logo na capa e título, um erro que a língua portuguesa não deveria perdoar, havia, no entanto, secções (ou deveria escrever seções?...) que lia com interesse e talvez algum proveito. À boa maneira norte-americana, o retrato de uma figura importante para um qualquer autor preenchia “O meu tipo inesquecível”. E o dito autor desenhava o retrato de um homem (ou mulher... mas muito menos) de que só havia coisas boas a dizer, mesmo que algumas fossem ternamente malandras. Uma humanidade a deitar por fora, e nem sempre a soar a verdadeira!
Pois bem, ao longo da minha vida fui encontrando alguns “tipos inesquecíveis”. Lembrei-me disto porquê? Porque se está agora numa onda semelhante, com a procura de quem é o “tipo inesquecível” do século. Então, porque não “entrar na onda” e procurar quem teria sido a figura oureense do século.
Para mim, que muito vivi do século – do que já passou e espero ainda viver dos mais de onze meses que ainda faltam para ele acabar –, para mim, sem hesitação, essa figura, “o meu tipo inesquecível”, foi Artur de Oliveira Santos.
Aliás, Artur de Oliveira Santos começou o século, embora ainda muito novo, já como uma figura marcante na sociedade de Ourém enquanto destacado propagandista republicano, muito activo, com uma intervenção permanente, sobretudo no campo da imprensa.
Esta breve nota biográfica (minha ou de Artur de Oliveira Santos?!) não pretende mais do que prestar testemunho e homenagem. A figura de Artur de Oliveira Santos merece uma investigação bio-bibliográfica séria, exaustiva, e não está entre as minhas formações, experiências e vocações esse tipo de trabalhos.
De qualquer modo, impressiona pegar em velhos jornais – em A Voz de Ourém, de 1908! – e ver o nome de Artur de Oliveira Santos, então talvez a rondar os 30 anos, na ficha técnica, como director, e encontrar, na última página, um anúncio de um quarto de página de uma oficina e estabelecimento de funileiro, com o nome de A Social e a propriedade de Artur de Oliveira Santos.
Tive o privilégio de conviver com Artur de Oliveira Santos, que morreu quando eu tinha perto de 20 anos. Encontrava-o em todas as iniciativas dos oureenses residentes em Lisboa, onde o meu pai me começou a levar... antes mesmo de ter nascido.
Assim fui conhecendo algumas histórias da História, por vezes por pergunta directa de um miúdo atrevido e sempre recebido com grande carinho. Histórias dos primórdios da República, histórias de Fátima, histórias da guerra civil de Espanha (onde, como enfermeiro, socorreu muitos combatentes), das prisões, dos tempos de fuga e esconderijo, da solidariedade de tantos oureenses que o acolhiam e até tinham divisões das suas casas adaptadas a “esconderijos para o Artur”. E li muito artigo, quer por si assinados, quer sob o pseudónimo de João de Ourém, revelando todos, mesmo aqueles em que aparentemente mais valorizava a polémica, um conhecimento da história de Ourém, uma cultura, uma preocupação pedagógica, um “amor pela terra”, que muito me ajudaram a construir essa imagem de “meu tipo inesquecível”.
E de figura oureense do século XX!
.
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da página 57 de Nos 50 anos da Casa de Ourém, 10º almoço dos oureenses em Lisboa, 18.06.1944 (posso identificar, quase um a um, AOS é o primeiro sentado no lado direito, e estou entre ele e a minha mãe):
(...)
(...)


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A vinda de Jerónimo de Sousa a Ourém

Não me cabe fazer o relato. Mas tenho de deixar duas ou três notas. Pessoais.
Foi pena a chuva. Embora a esperássemos, uma réstia de esperança (e de sol...) manteve até ao começo da tarde a confiança de que a meteorologia se teria enganado.
Mas não foi assim. A chuva pôs-nos todos à prova e teríamos, todos, passado (sem ser administrativamente) a prova(ção). Os da concelhia que estiveram na iniciativa desde o início, os responsáveis e todo o pessoal do Chico Santo Amaro, quem veio com o Jerónimo de Sousa naquelas tarefas que, sendo silenciosas (mesmo as do som), são imprescindíveis, todos os que se repartiram por quatro salas a abarrotar porque a tal réstia de sol não apareceu.
Não foi o que gostaríamos que tivesse sido, a visita ao Museu, a ida ao espaço da Praça Nova, o passeio pela cidade e a ida ao Centro de Trabalho (a minha chave esteve de conluio com a chuva...), a visita ao Centro Histórico. Mas foi verdadeiramente impecável a receptividade pelo executivo da Câmara - pelo vice-presidente e pela responsável pelo Museu e actividade cultural, que ainda aceitaram o nosso convite para o almoço -, a simpatia no café, o acolhimento (fugindo à chuva) na Ucharia, a presença da comunicação social no almoço.
Foi reconfortante ver que a vinda a Ourém foi o pano de fundo para uma passagem na RTP de algumas palavras de Jerónimo de Sousa (bem poucas para a importância - e urgência! -de todas elas).
E, pela net, circulam fotografias que, em gesto muito amigo, me fizeram chegar por e-mail, e de que deixo duas.




domingo, 3 de outubro de 2010

Na visita de Jerónimo de Sousa a Ourém

Na visita de Jerónimo de Sousa a Ourém. Antes da sua intervenção e do convívio no final da refeição que o Samuel animou - e esses foram os momentos que importaria registar -, depois da (justa) saudação a quem tanto trabalhou para a excelência da refeição e do convívio, disse o que segue:

Caros camaradas e caros amigos,
Camarada Jerónimo de Sousa,
já hoje, em vários momentos, te dei as boas-vindas a Ourém. Faço-o, de novo, em nome da Comissão Concelhia do Partido Comunista Português e, se me permitem, em nome de todos os que aqui estão em convívio contigo.
.

Cada dia é um dia especial. Como nos dizia um guarda no Aljube, “mais um dia, menos um dia!”. Mas hoje, para os de Ourém, é um dia muito especial. Embora, sendo de luta, seja um dia igual a todos os outros. Assim o será para ti. Não para nós … porque estás aqui connosco, a dar-nos alento e força.
Pouco saberás – aliás, pouco sabemos todos... – desta terra. Somos um concelho com 420 quilómetros quadrados, com mais de 50 mil habitantes, o segundo do distrito de Santarém, por isso muito cobiçado pelos partidos que apenas se preocupam com eleitores e nada com a situação dos trabalhadores e das populações.
Mas há outras coisas de que é importante falar, como do núcleo de oureenses que fez da Festa do avante!, tal como ela é, um exemplo de vida e de trabalho – que tem de ir para além da Festa –, onde se saúda a entrada de dois novos militantes, com menos de 20 anos. Este é o futuro que se constrói sobre o nosso passado. Na luta!
Aqui, nesta terra, em dois lugares, houve tipografias em que se imprimia o avante!, na heróica clandestinidade com os nomes de Joaquim Rafael e de Catarina Machado.
Aqui, nesta terra, houve quem tivesse ficado, no verão de 75, toda a noite, na sua vacaria, no espaço a que chamávamos a República de Cuba por estar nos baixos de uma cuba, com uma espingarda em cima dos joelhos, à espera do que estaria para vir de Alcobaça e de Rio Maior.
Aqui, houve muita e muita coisa para contar, que ilustro com o facto de não se ter conseguido abrir um centro de trabalho em 1975, e só em 2001 termos concretizado esse objectivo, a cuja inauguração veio o secretário-geral que te antecedeu, o camarada Carlos Carvalhas.
Estamos, por isso, na segunda visita a este concelho do secretário-geral do PCP.
Julgamos ter merecido mais, mas sabemos quanto o País é grande pois a luta que é a nossa não esquece quem vive na ilha do Corvo ou emigrou, como não pode esquecer o habitante do Palácio de Belém, e a esse lugar nos candidatamos com a candidatura de esquerda e patriótica do camarada Francisco Lopes. Candidatura que é nossa, dos comunistas. Mas não só… pois é também de quem for de esquerda e patriota e, por isso, queira contribuir para um outro Portugal.
Camarada Jerónimo de Sousa, camaradas e amigos, estes últimos dias têm sido particularmente esclarecedores, não obstante as carradas de poeira que, de fora e de cá de dentro, nos têm atirado aos olhos. Sobre eles, sobre estes dias que vivemos, muito teria para dizer… mas estamos aqui, além do convívio amigo contigo, camarada Jerónimo, para te ouvir.
Por isso, obrigado por teres vindo, e passo-te a palavra… não sem antes te dizer uma última, pessoal, deste velho militante que te conheceu no sindicato dos metalúrgicos, que, cheio de alegria e confiança, te via passar, de eléctrico, no Largo do Rato, a caminho da Assembleia Constituinte e te saudava, que contigo atravessou momentos complicados na Assembleia da República e no nosso Comité Central, e que, hoje, está feliz por tu estares aqui e nesta tarefa.


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Notas para anotar

O acompanhamento que Sérgio Faria faz da actividade autárquica, e em particular das assembleias municipais, com as suas notas (porque é que sobre-ourém não aparece no miradouro de ocastelo?), são dignas de nota!
Vale a pena ler todas (o que não quer dizer que se esteja de acordo com tudo de todas, sobretudo quando fala de Cuba sem precisar a que Cuba se refere, se é à República se é ao concelho do Alentejo), mas recomendo, cá por coisas..., a leitura d'esta.

Jerónimo de Sousa em Ourém

De cduporourem:

Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010 :
Jerónimo de Sousa em Ourém
A vinda de Jerónimo de Sousa a Ourém, no dia 3 de Outubro, é um facto político (e social) a que se tem de dar a maior importância. Não só por se tratar do secretário-geral do Partido Comunista Português, como por a vinda a Ourém de um dirigente com este nível de responsabilidade não ser costumeira, particularmente do PCP. Apenas uma vez se deslocou a Ourém, em 2001, o então secretário-geral Carlos Carvalhas, por ocasião da abertura de um Centro de Trabalho - a sala Francisco Lancinha - só possível nesse ano, 27 anos depois de Abril de 1974.

O programa da visita de Jerónimo de Sousa, que não se insere em iniciativa de qualquer campanha mas como um acto normal na actividade de contacto permanente com as realidades do País, começará por uma visita ao Museu Municipal, às 11 horas - para o que o executivo da Câmara Municipal criou todas as necessárias condições, e onde saudará Jerónimo de Sousa, o que se releva -, dará um curto passeio pela cidade até ao Centro de Trabalho, de onde partirá para o Centro Histórico, os Castelos, que visitará, na passagem para S. Sebastião, onde se realizará um almoço de convívio, na Casa Xico Santo Amaro.

No final do almoço, Jerónimo de Sousa fará uma intervenção, seguindo-se animação cultural com a participação de Samuel.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Não Vaz por aí...

Um vizinho, Vaz de seu nome (se for), e que terá Companhia, e que parece estimar muito a democracia e o diálogo, comenta este blog (e outros) mas não disponibiliza o seu perfil, para confirmar se é Vaz e que Vaz é, como não abre espaço para comentários. É comer e calar, como ele achará que não deve ser. Muita coerência... em vez de Vaz & Companhia poderia chamar-se Bate & Foge, Lª.
Apesar disso, ainda velho dizer (também a ele & Cia.) que, tendo a CDU 1 eleito em 39, a presença desse eleito, se muito importante - a nosso juizo - não determina nada quanto aos milhões, e tem um caráccter eminentemente testemunhal, de marcar presença, de mostrar que existe alternativa para a alternância. O companheiro que me poderia substituir - espero que não se atreva a ajuizar das nossas prioridades políticas e pessoais... - não se sentia preparado para essa função sem primeiro conhecer bem o andamento da carruagem. E os candidatos CDU respeitam-se mutuamente, como respeitam os outros mesmo os que nem a si próprios se respeitam.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ausência...

Não estive presente na última reunião da Assembleia Municipal, por razões po(n)derosas, as mesmas que fizeram com que a nº 2 da lista, que me tem substituido quando necessário ou por outras razões, não o tivesse feito.
Não foi por isso que não soube, na noite de sexta-feira, como ela correra. A CDU esteve presente no público, e por quem poderia ter estado no lugar que é nosso entre os membros, mas foi considerado melhor ter sido assim, até porque não havia votações em que fosse necessário tomar posição.
O modo como correu a Assembleia terá confirmado ter sido a melhor solução...
Também um relato que li num blog oureense (sobre-ourem... e porque não no Miradouro de o.castelo.vai.nu?) me leva a considerar ter sido a melhor solução para evitar que alguém que me substituisse se tivesse estreado em andanças parlamentares tendo de intervir em situações tão par(a)lamentares.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O tamanho do caos

Afinal não serão 15 as escolas a fechar em Ourém, a juntar às que já fechadas estão, serão apenas (!?) 6:

EB Ourém Nº2
EB Carvalhal do Meio
EB Barreira
EB Perucha
EB Reca
EB Moitas Gaiola

Há, no entanto, mais 6 escolas às quais foi dada autorização excepcional de funcionamento para o ano lectivo de 2010/2011, a saber:

EB Sobral
EB Urqueira
EB Coroados
EB Formigais
EB Giesteira
EB S. Jorge

isto é, as que têm a "pena suspensa" ou melhor: adiada!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O caso do caos anunciado...

... e meticulosamente preparado!
O encerramento, agora anunciado e confirmado, de 701 escolas no País (aqui, no concelho de Ourém, a somar às já encerradas, serão mais 15-escolas-15!*) faz prever uma abertura de ano esolar que será caótica.
As autarquias, como associação e de per-si, estão a reagir. (A de Ourém... estará?**)
.
E há aqui um pormenor curioso (salvo seja...): as dificuldades e as reacções de protesto das autarquias, que irão (iriam) ter de suportar a parcela muitíssimo onerosa dos transportes, a partir de uma decisão unilateral, para que não meteram nem prego nem estopa nem opinião deram, ainda - se calhar... - vão ficar com o odioso e esconder a impossibilidade prática de estarem as instalações em condições de acolherem os estudantes cujo transporte será/seria da responsabilidade das ditas autarquias.
Isto promete... e não é coisa boa!
________________________

* - Escola Básica Vale da Perra, Atouguia; Escola Básica de Coroados, Seiça; Escola Básica do Sobral, Nossa Senhora das Misericórdias; Escola Básica de Ourém nº. 2, Nossa Senhora das Misericórdias; Escola Básica do Carvalhal do Meio, Rio de Couros; Escola Básica da Mata, Urqueira; Escola Básica de Barreira, Caxarias; Escola Básica da Urqueira, Urqueira; Escola Básica de Formigais, Formigais; Escola Básica de Perucha, Freixianda; Escola Básica de Reca, Freixianda; Escola Básica de São Jorge, Freixianda; Escola Básica de Giesteira, Fátima; Escola Básica de Moitas Gaiola, Fátima.

**- no site oficial não se vê nada...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ourém fora do texto...

Ser de Ourém é sentir-se frequentemente fora do mapa ou fora do contexto. Desta vez foi fora do texto porque no mapa está.


Comprado o espesso semanal Expresso, lá vinha um caderno Guia de Portugal dedicado a Oeste e Vale do Tejo.

E de onde somos nós, os de Ourém?

Como zona de transição, peça do puzzle que sobrou e se coloca onde der mais jeito (a quem?), pensei: 2/3 de probabilidades de estarmos no caderno. É que umas vezes somos do Oeste, outras do Vale do Tejo, outras ainda do Centro ... 2/3 de probabilidades!

E lá estávamos no mapa.

Mas... em 27 referências relacionadas com todos os concelhos do mapa, Ourém era o único que não tinha qualquer.

Fora do contexto é o que é!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pode saber-se?

Qual foi o critério, ou os critérios, que presidiram (presidencialmente!) à escolha dos restaurantes para a semana gastronómica?
Qual é a partilha de responsabilidades nessa "selecção" (e outras?) entre o presidente da Câmara e o presidente da Região de Turismo em tudo o que respeita a esta "semana"?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Convite agradecido... e endossado


Isto de auditorias às auditorias e trabalhos afins...

No Correio da Manhã:

«(...)
AUDITORIA REVELA ESTUDOS SEM UTILIDADE PRÁTICA

Uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) aos 134,1 milhões de euros gastos pelo Estado em estudos, pareceres e consultoria entre 2004 e 2006 concluiu que apesar de o sector público dispor de 96 órgãos ou serviços com funções de natureza consultiva, os gabinetes ministeriais e organismos por si tutelados recorrem a entidades externas para a realização deste trabalho. O TC refere que não foi avaliada a necessidade de os realizar, como sublinha o facto de 41,4% dos trabalhos encomendados não terem tido qualquer aplicabilidade prática.»
.
.
Estudos, pareceres, consultorias, a que se podem juntar algumas auditorias...
.
(desculpem lá, mas achei piada aos 41,4%...
nem mais de 40%,
nem perto de 42%,
nem quase metade...
41,4%!
é cá um rigor...
porque é que não se diz tantos em tantos?.
isso sim, seria rigoroso.)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Porque será?

Porque será que miradouro, o repositório dos blogs oureenses em ocastelo, que tão prestimoso serviço de informação nos presta, e que tão prestes é, sempre, nas transcrições, demorou tanto tempo a reproduzir resumos das últimas mensagens de sobre-ourém ?
Mistérios. Ou talvez não!

terça-feira, 20 de julho de 2010

sobre ourém, alô, alô!

Quem quiser informar-se com seriedade e profundidade das "coisas oureenses", de como vamos indo por cá, deve ler a série de mensagens deixadas por Sérgio Faria no seu blog sobre-ourem.blogspot.com.
É certo que são textos extensos, numa escrita densa, que muito aprecio pela qualidade e rigor, que exigem tempo e gosto de leitura, e disponibilidade, que tanto minguam. Mas que deveriam ser lidos e reflectidos, muito particularmente por quem é responsável pelas expectativas que criou, expectativas que muito custará, também a quem não teve ilusões, ver transformarem-se em desilusões.
Por mim, diria que ficam como avisos sérios à navegação e aos navegadores, como contributos empenhados (e magoados), como "cantigas de amigo" ausentes de "escárnio" e de "mal-dizer". São mensagens contra o privilégio da imagem, sempre efémera.
Acrescento, em nota muito pesssoal, que as tomei como muito úteis elementos para a indispensável (e desejavelmente permanente) auto-crítica sobre a intervenção como eleito na Assembleia Municipal. Por Ourém.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Andamos a brincar à democracia e à informação?


“… à revelia de uma fundamentação séria
e susceptível de criar dinâmicas de desinformação,
pouco rigorosas
e por isso negativas para a harmonia social
do Município de Ourém”

(IC9, Festas de Ourém e Auditoria,
comunicado de 29 de Junho de 2010,
assinado por Paulo Fonseca,
Presidente da Câmara Municipal de Ourém)



3 questões-prévias:



  1. Tenho os maiores respeito e admiração por quem se disponibiliza para o trabalho colectivo, ao serviço das populações que integra e que, por isso, aceita representá-las institucionalmente;

  2. Tenho idênticos respeito e admiração por quem, no desempenho das suas obrigações profissionais, é cumpridor, sério… é profissional, numa palavra;

  3. Nutro sentimento inverso por quem faz da política carreira pessoal e por quem faz da profissão “ganha-pão” à míngua de consideração por si e pelos outros.

    O comunicado de que extraí a frase que transcrevi em antelóquio entristece. Porque ilustra, de forma exemplar o que a frase, justamente, estigmatiza: não tem fundamentação séria e é, ele em si-mesmo, susceptível de criar dinâmicas de desinformação, pouco rigorosas e por isso negativas para a harmonia social do Município de Ourém.
    Que fazer? Calar e deixar andar, como tantas vezes apetece? Não sou capaz! Nunca fui…
    Sobre as Festas (que tive a oportunidade de referir elogiosamente), só há que dizer que, no comunicado, o curto trecho e as contas excedem-se no pomposo, no auto-elogioso e na total ausência de rigor. Aquelas contas (e aquele “pragmatismo paradigmático”) não se apresentam a não ser a gente que não se respeita, que se toma por parva…
    Sobre o IC9, por desagradável que seja o tom, adiante… aguarde-se.
    Quanto à auditoria, em que ficamos? Em que números se pode confiar, se alguns há? Onde o rigor? Uma dúvida tenho sobre quem pior fica nesta fotografia: se a Câmara que “encomendou”, se a empresa que cumpriu a “encomenda”.
    Na Assembleia Municipal das vésperas do comunicado, o Presidente da Câmara disse que a 31 de Outubro de 2009 estavam inscritos na contabilidade 34.110,9 mil euros de passivo (deveria quer dizer de «dívidas e acréscimo de custos»), disse que depois foram arrolados 15.594,6 mil euros de «compromissos» e um conjunto de «ajustamentos» no valor de 2.492,4 mil euros, o que – estranhamente – disse perfazer 69.225,8 mil euros (34,1+15,6+2,5 dá 52,2 e não 69,2 milhões!). A esse valor, na informação à AM, o Presidente da Câmara retirava 13.284,4 mil euros de «proveitos diferidos» concluindo que a dívida da Câmara ascendia a 55 milhões de euros, e este número passou a ser o adoptado. Ora, no comunicado de 29 de Julho, os valores das «dívidas e acréscimos de custos», dos «compromissos» (antes dos «saldos ajustados») e dos «proveitos diferidos» conferem, mas não se descobre como chegar aos 55 milhões de «dívida». Nem uma interpretação benévola (?) do «mistério» dos «proveitos diferidos» nos explicaria esses números que deveriam ser apanágio do rigor tão apregoado e tão mal tratado.
    Sublinhe-se que «proveitos diferidos» são «receitas verificadas no exercício cujo proveito deva ser reconhecido nos exercícios seguintes», e estes oureenses são mesmo um “mistério” (pelo menos, para mim). Diz o relatório da auditoria: «Até à data deste relatório não obtivemos resposta de algumas entidades gestoras de subsídios concedidos ao nosso pedido de informação sobre os referidos subsídios, pelo que não nos é possível concluir quanto a eventuais impactos nas demonstrações financeiras em resultado desta situação» mas, de qualquer modo, nunca poderiam entrar em contas de somar e de diminuir de «dívida da Câmara». A juntar ao caso da Mais Ourém, e – talvez… – a outros, era destes esclarecimentos que se esperaria nos resultados de uma auditoria «encomendada» a tão conceituada (e excelentemente remunerada) empresa.
    A última frase do comunicado de 29 de Junho é tão merecedora de transcrição como a que já transcrevi: «Após estas fases processuais normais o executivo estará em condições de apresentar em reunião de Câmara a sua declaração politica final sobre esse assunto e, posteriormente, a disponibilizará ao público interessado uma vez que integrará a acta da reunião, que estará disponível no portal oficial do Município».

Ou seja: quem quiser saber, vá ler à net, ao portal oficial do Município! Não!, isto não coincide com os nossos conceitos de democracia e de informação!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sei lá porquê (ou sei?)

Já houve amigos que me perguntaram «mas porquê essa "doideira"?... tu nem nasceste lá... e, ainda por cima, ...". Corto-lhes "o pio", não deixo sair o que poderia vir a seguir e já adivinho: «não nasci "lá" porque o meu pai ainda não tinha carro... mas estão "lá" as minhas raízes e tenho-as bem fundas...».
E pronto. É assim. Talvez uma daquelas irracionalidades (e às vezes tem sido) que nos caracterizam. Mas que terão as suas explicações.
Uma que me saltou agora. A mexer em papéis. Como sempre
Quando comecei a saber ler, escrever e contar, o meu pai quis (ou deixou que) o ajudasse no seu trabalho. Que era com papéis.
E se em tudo na sua vida havia Ourém, no trabalho também. Nos produtos "marca Ribeiro", cadernos, papel de carta, carteiras para 5 envelopes/5 cartas, blocos, e coisas dessa, Ourém estava presente e dominava. Havia, é verdade, as "marcas" Diplomata e Selecto (para "certas clientelas" que queriam escrever em papel "especial" cor de rosa ou azul clarinho...), Sergito e Miúdo (eu, pois então)... mas a de Ourém era sempre e mais. No meio disso cresci e comecei a trabalhar.
Por exemplo (onde estarão tantos outros que tenho na memória e em que não tropeço na enxurrada da vida que tudo leva menos as recordações antigas?)

domingo, 6 de junho de 2010

Castelo de Ourém (pormenor) - António Flor

E-mail amigo fez-me chegar a 30 de Maio, com desejos de boa semana, esta foto a que tivera acesso. Assim se começa uma boa semana (obrigado!). Que nem sei se o teria sido...
Estes castelos (insisto no plural) fazem parte da minha vida. Quando os vejo ao Km110 da A1 "estou em casa" (e, sobre este sentimento meu, há um texto, lido a 24 de Novembro de 2005, que é inapagável em mim).

Esta foto "mexeu" comigo. Aqui está! O autor é António Flor.
.
Castelo de Ourém (pormenor)
Pentax 645 + super –
Takumar 45mm + filtro laranja
Película: Fuji Acros 100

sábado, 5 de junho de 2010

É preciso que se saiba...

Ciclo Woody Allen, no Museu Municipal

Começou a 2 de Junho, com Annie Hall

Dias da Rádio, 9 de Junho
Os Dias da Rádio, de Woody Allen, é um retrato "profusamente nostálgico" (Leonard Maltin) do estrelato dos anos 40, em que as primeiras memórias cómicas de um rapaz, provenientes da idade de ouro da rádio, são utilizadas para tecer uma fantástica história simultaneamente cómica e afectuosa. Bem cuidado e "recheado de pormenores" (The New York Times), Os Dias da Rádio é um dos mais encantadores elogios alguma vez feitos por um realizador a um tempo passado (L.A. Weekly)!

Vigaristas de Bairro, 16 de Junho
Woody Allen escreveu, dirigiu e interpretou esta comédia passada em Nova Iorque sobre as aventura ilegais de um ex-presidiário trapaceiro (Ray Winkler, Woody Allen) e da sua esposa (Frenchy, Tracey Ullman), uma manicura que sonha enriquecer a qualquer custo...
Após muitas tentativas falhadas desenvolvem um plano para assaltar um banco que os deixa a nadar em dinheiro... Em conjunto com outros vigaristas do bairro alugam uma casa ao lado do banco, montando um pequeno negócio para não dar nas vistas, enquanto vão cavando um túnel para chegar ao cofre-forte. O plano sai furado, mas o negócio paralelo das bolachas transforma-os nos reis da indústria alimentar de Nova Iorque...

Melinda e Medalina, 23 de Junho
A história situa-se em Manhattan, como não podia deixar de ser, e todas as habituais questões de Allen são postas em causa: a fragilidade do amor, a infidelidade no casamento, o romance sofisticado, a inabilidade de comunicação - e todos os elementos cómicos estão no seu devido lugar.
A história situa-se em Manhattan, como não podia deixar de ser, e todas as habituais questões de Allen são postas em causa: a fragilidade do amor, a infidelidade no casamento, o romance sofisticado, a inabilidade de comunicação - e todos os elementos cómicos estão no seu devido lugar.
O enredo inicia-se com uma discussão de café que acaba por gerar uma guerra entre dois dramaturgos, que se propõem a escrever uma história sobre uma mulher chamada Melinda. A partir daí, os dois artistas vão dando diferentes destinos (um trágico, outro cómico) à personagem por eles criada.

Vicky Cristina Barcelona, 30 de Junho
Quando Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlet Johansson) são convidadas a passar o verão em Barcelona elas aceitam imediatamente. Vicky, sensata e prestes a casar, quer passar o seu último mês como solteira a pesquisar para mestrado e Cristina, uma sexy aventureira de espírito livre, procura uma mudança de cenário, para fugir do descarrilar psicótico da sua última relação amorosa. A certo ponto conhecem Juan António (Javier Bardem), um fogoso artista e a sua bela (mas louca) ex-mulher (Penélope Cruz). Quando todos se envolvem num emaranhado amoroso, os resultados só podiam ser caóticos.
Só quando não puder...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Há por onde escolher...

Agenda de actividades em Ourém:

Museu Municipal - Casa do Administrador
Dias 5 e 6 e de Junho
Arquivo da Memória - um Workshop sobre o cinema e vídeo etnográfico, através da documentação audiovisual de tradições, rituais e estórias pelo registo de memórias pessoais.
O Workshop será dividido em duas sessões: uma primeira, teórica, sobre o documentarismo etnográfico (com visionamento de cinema documental); uma segunda, prática, com a realização de um vídeo etnográfico através dos relatos de Oureenses, com contributos para a documentação da memória local.
A iniciativa é coordenada pelo realizador e actor Frederico Corado e inscreve-se num projecto alargado ao País.
Cada sessão terá a duração de 6 horas.
Contactos para informação e inscrições:
museu@mail.cm-ourem.pt
telm: 919585003
tel. 249 540 900 - Ext: 169
Organização:
Município de Ourém - Museu Municipal
Agrupamento de Escolas D. Afonso 4.º Conde de Ourém
Oficinas lúdico-pedagógicas
Durante 2010, o Serviço Educativo do MMO tem a decorrer 3 oficinas lúdico-pedagógicas destinadas aos mais novos:
- Bio Diversidade
Público-alvo: 3-12 anos (oficinas com 2 níveis de profundidade)
(Projecção visual, desenho, pinturas faciais e origami)
- A minha Primeira República
Público-alvo: 8-10 anos
(Dramatização do conto com fantoches; pintura e modelagem de balões)
- Quiz Show - Cem anos com a República!
Público-alvo: 11-18 anos.
Um concurso pergunta-resposta de interacção com a projecção audiovisual, com questões de foro nacional e local, facultadas previamente aos concorrentes.
A realização é direccionada a grupos escolares, com lotação de 30 participantes. Participação mediante marcação prévia.
Contactos:
museu@mail.cm-ourem.pt
telm. 919585003

VI FESTAMBO - FESTIVAL DE MÚSICA E DANÇA DE OURÉM
4 de Junho
Espectáculo de dança pela Escola de Dança da AMBO
Hora: 21h30
Local: Centro Pastoral Paulo VI, Fátima
Organização: Academia de Música Banda de Ourém
Música
4 de Junho
Conferência "Música no Cinema"
Hora: 20h00
Local: Centro de Negócios de Ourém
5 de Junho
Concerto "Valses et un rêve de Ravel"
Hora: 21h00
Local: Auditório do Conservatório de Música de Fátima
12 de Junho
Concerto de canto e Órgão
Hora: 21h00
Local: Sala de Órgão do Conservatório de Música de Fátima
18 de Junho
Concerto "Sentir a Música"
Hora: 20h00
Local: Centro Pastoral Paulo VI, Fátima
19 de Junho
Gala de Ópera
Hora: 16h00
Local: Cine-Teatro Municipal de Ourém
26 de Junho
Concerto "Obras Inéditas"
Hora: 21h00
Local: Auditório do Conservatório de Música de Ourém
Organização: Conservatório de Música de Ourém

Exposições
Galeria Municipal de Ourém
De 5 a 27 de Junho
Exposição na Galeria Municipal, de Marco Ayres.
Horário: Terça a Domingo, 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
Paços do Concelho
14 de Junho a 9 de Julho - Exposição 'Cidade de Ourém' por De La Mancha

Biblioteca Municipal
Exposição: O Futuro das Espécies, realizada pelo grupo Evolution Team, composto pelos alunos: Filipa Oliveira, Liliana Silva, Samuel Meirinho, Odile Henriques, da Escola Básica e Secundária de Ourém do Agrupamento de Escolas de Ourém
- Data: 1 a 30 de Junho de 2010
- Horário: das 9h às 18h
Organização: Município de Ourém

Desporto
Passeios Pedestres
6 de Junho
Do templo e suas gentes
Um passeio integrado e completo, com fruição da natureza, da história e da cultura local. Da antiga Igreja de N.ª Sr.ª da Purificação, com visita ao retábulo em talha dourada, aventuremo-nos por quintas, sítios arqueológicos, equipamentos moageiros, açudes e levadas que acompanham os extensos vales cultivados de Olival.
Distância: 9 Km Duração: 3h Grau de Dificuldade: Médio/Alto
09.00H: Concentração junto da Junta de Freguesia de Olival
Informações e inscrições: - Câmara Municipal de Ourém (decas@mail.cm-ourem.pt
- Junta de Freguesia de Olival (j.f.olival@clix.pt)
- Quercus
20 de Junho
Cem anos com a República
Distância: 6 Km Duração: 1.30h Grau de Dificuldade: Baixo
Ponto de partida: Paços do Concelho, o coração do Município! Vamos reler a cidade sob a perspectiva da história e do fulgor de "Villa Nova de Ourém" nos alvores do séc. XX. A Casa do Administrador (Núcleo expositivo do Museu Municipal) acolhe-nos e transporta-nos aos ambientes e aos episódios locais ao tempo da implantação da República. Seguimos para o Parque Linear, onde exercitamos o corpo, e dali para a Mata Municipal para fruirmos das sombras e da vegetação
09.00H: concentração junto da Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Piedade
Informações e inscrições:
- Câmara Municipal de Ourém (decas@mail.cm-ourem.pt)
- Junta de Freguesia de Nossa senhora da Piedade (junta.piedade@oninet.pt)
- Quercus
Jornadas de Futsal
Dia 5 de Junho - Pavilhão Gimnodesportivo Municipal do Caneiro - Campeonato de Masculinos e Torneio de Femininos
17h00: Jogo Seniores Masculinos
Grupo Desportivo de Freixianda x Centro Desportivo de Fátima
18h30: Jogo Seniores Femininos
Centro Desportivo de Fátima x Grupo Desportivo de Freixianda
20h00: Jogo Seniores Masculinos Juventude Ouriense x GRUDER
Dia 6 de Junho - Pavilhão Gimnodesportivo Municipal do Pinheiro - Torneio de Juniores
15h00: Jogo Juniores Masculinos
16h00: Jogo Juniores Masculinos
Juventude Ouriense 1 x U.D. Pinheiro e Cabiçalva
17h30: Jogo Juniores Masculinos Vencido Jogo 1 x Vencido jogo 2
18h30: Jogo Juniores Masculino Vencedor Jogo 1 x Vencedor jogo 2
Dia 12 de Junho - Pavilhão Gimnodesportivo Municipal do Caneiro
Final das Jornadas de Futsal
17h00 - Juniores masculino: vencedor x SLB
18h30-Seniores femininos: vencedor x Clube Amador de Desportos do Entroncamento
20h00- Seniores masculino: vencedor x União Desportiva de Leiria
Local: Pavilhão Gimnodesportivo Municipal do Caneiro
Organização: Câmara Municipal de Ourém

Sábados Activos
5 de Junho- Praça Luís Kondor- Fátima
Actividade: Activ Ioga e Pilates
Hora: 18h00
12 de Junho- Parque Linear de Ourém
Actividade: Ginástica Localizada
Hora: 18h00
19 de Junho- Piscina Municipal de Ourém Actividade: Hidroginástica (inscrições limitadas)
Hora: 19h00
26 de Junho- Parque Linear de Ourém
Actividade: Dance
Hora: 18h00
Organização: Câmara Municipal de Ourém
Colaboração: Verourém, Ginásio Sportgim, Korposano Health Club, 02 Health Club

Passeio de BTT- Ninho de Águia
Dia: 6 de Junho
Hora e local de concentração: 8h30 - Capela do Ninho de Águia
Dificuldade: média
Distância: 25 Km
Organização: YellowTeam
Informações: diogo-89@hotmail.com
Contacto: Hermano - 918239717
Passeio de BTT da Freguesia de Seiça
Dia: 13 de Junho
Hora e local de concentração: 8h30 - Sede do Grupo
Desportivo e Cultural de Seiça
Dificuldade: Baixa
Organização: Clube dos Pinheiros/ NaturBike/ BTTEAM Informações: bttclubedospinheiros@gmail.com/ naturbike@gmail.com /gdcseiça@sapo.pt
Contacto: João Camilo Alves-914915836/ Joel Baptista - 918187248/ Luís Silva - 917605787
Prova de Resistência 3 Horas de BTT
Dia: 20 de Junho
Hora e local de concentração: 8h30- Sede da Junta de Freguesia de Freixianda
Dificuldade: Média
Organização: Bestomontanha
Informações: dariofalmeida106@hotmail.com
Contacto: Daniel Raimundo 914153892
Informação cedida pelo Município de Ourém
A realização dos eventos é da inteira responsabilidade das entidades promotoras.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

(NÃO!) me vou embora para Pasárgada, 'tá dito...

Não sei se éramos 299 mil ou 301 mil. Mais de 150 mil éramos, porque uma ex-contadora (o que é isto?...) o disse, com a sua experiência e a vontade de "prestar serviço" (... de ex-tra).
Não sei se éramos 299 mil ou 301 mil. Sei que, de Viana do Castelos, eram 11 autocarros e de Santarém 22, isso sei. E sei que éramos muitos, muitos, muitos mil.
Não sei se éramos 299 mil ou 301 mil. Sei que, de certo, não estava ninguém que não quisesse estar, que, de certo, ninguém estava à procura de carreira, de tacho, ou de favores do poder (seja ele aparente ou real, divino, político-partidário ou financeiro).
Sei, também, que quando, por aqui-por ourém, vejo coisas destas fico "pior que estragado", decido não reagir ao desrespeito pelos outros, à intenção ofensiva, à ausência de democrati-cidadania, à baixa provocação... mas não resisto. Lembro-me do Manuel Bandeira e...
NÃO me vou embora para Pasárgada!

Vou-me Embora pra Pasárgada

Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento



segunda-feira, 31 de maio de 2010

A ver, a estar, a participar

I. ACTIVIDADES EM PERMANÊNCIA: MARÇO 2010 - MARÇO 2011

"Recriar a República em Ourém!"
Participação integrada do Município e dos Agrupamentos de Escolas de Ourém em vários projectos de pesquisa, documentação, animação e divulgação, como: pesquisa e divulgação da toponímia e de mais documentação alusiva à República; exposição de trabalhos escolares; performances; pintura de mural.
Visitas orientadas à exposição 1900 - Villa Nova de Ourém para o tema/painel da 1.ª República, (com marcações prévias).
Visitas direccionadas para escolas em geral e, especificamente para turmas com a abordagem do tema nos programas curriculares.
De Terça a Domingo, no Museu Municipal de Ourém - Casa do Administrador

Quis Show sobre acontecimentos, personagens e contextos da República
Actividade direccionada para os 2ºs e 3ºs ciclos do ensino básico (com marcação prévia).
De Terça a Domingo, no Museu Municipal de Ourém - Casa do Administrador

II. PROGRAMA MENSAL

JUNHO

Passo a passo por Ourém - 100 anos com a República
Passeio pedestre aos espaços do concelho relacionados com a República
Dia 20 de Junho, pelas 9h.

SETEMBRO

Exposição O Regicídio - Iconographia do Attentado
De 1 a 30 de Setembro, das 9h 18h na Biblioteca Municipal de Ourém.

OUTUBRO

Dia da implantação da República - 5 de Outubro de 2010
Lançamento de publicação de documentos alusivos à implantação da República, com especial enfoque em Ourém.

Inauguração de memorial da República

Lançamento online da plataforma digital do Arquivo Municipal de Ourém

Conversas no Museu com personalidades ligadas à temática da República em contexto nacional e local durante os meses de Outubro, Novembro e Dezembro.
À Conversa com os Familiares de Artur de Oliveira Santos - 4 de Dezembro
Local: Museu Municipal de Ourém - Casa do Administrador

Hora do conto
A minha 1.ª República, de José Jorge Letria e Afonso Cruz.
Destinado a alunos do 1º ciclo do Ensino Básico, durante o mês de Outubro, na Biblioteca Municipal de Ourém (com marcações prévias).

Fora da estante
Mostra Bibliográfica sobre a Implantação da República
.
De 1 a 30 de Outubro, na Biblioteca Municipal de Ourém.

Exposição Cem anos sobre a República em Ourém
Exposição de documentos provenientes do Arquivo Histórico Municipal.
De 1 a 30 de Outubro, das 9h 18h na Biblioteca Municipal de Ourém.

Exposição de trabalhos escolares relativos à comemoração do Centenário da República.
De 1 a 30 de Outubro, das 9h 18h na Biblioteca Municipal de Ourém.

DEZEMBRO

Exposição A Idade do Ouro da Imprensa do Norte do Distrito de Leiria
De 2 a 31 de Dezembro, das 9h 18h na Biblioteca Municipal de Ourém.

(Con)Tributos
À Conversa com Margarida Herdade Lucas e Miguel Portela sobre a exposição: A Idade do Ouro da Imprensa do Norte do Distrito de Leiria
.
11 de Dezembro, na Biblioteca Municipal de Ourém.
Organização: Município de Ourém

quinta-feira, 20 de maio de 2010

29 de Maio

Quem não se quiser resignar,
quem não acredita na fatalidade,
tem agora uma oportunidade,
senão... é só comer e calar!



Protestar faz mesmo bem,
dizer mal do governo
é um desabafo bacano
cá pelas bandas de Ourém!

Lutar pode ser complicado,
mas é cada vez mais urgente,
venha daí toda a gente
dizer não ao triste fado!



terça-feira, 18 de maio de 2010

Éramos 14 e conversámos!

Éramos 14 e conversámos!
Dos 14, 6 eram militantes e 8 não o eram. E conversámos. Trocando, abertamente, impressões e opiniões.
Foi um bocado de tarde bem passada. Útil e agradável.
Havia outras coisas interessantes na cidade. Ainda passei pela FESTAMBO e gostei de (ou)ver o que (ou)vi… Mas tinha de escolher. E, apesar de ter estado (e beneficiado) em outras iniciativas, privilegiei a “nossa”.
Éramos 14. E vimos um documentário muito interessante e duro sobre a violência. E conversámos! Sobre temas da maior actualidade. E pertinência. Sobre a desigualdade (e as violências) com pretexto na diferença sexual, E outras coisas. Nossas.
A conversa foi… estimulante.
Há que a continuar!

domingo, 16 de maio de 2010

FESTAMBO

Motivos de saúde familiar (nada de grave... além da idade que avança, ao que se nota...), estão a impedir-me de acompanhar, como desejaria, algumas actividades que - congratulo-me - se vão realizando por Ourém.
Queria referir-me, particularmente, à noite de ontem, no Largo Mouzinho de Albuquerque, no âmbito da FESTAMBO. Terá corrido muito bem... ainda bem! Que assim continue.

terça-feira, 4 de maio de 2010

De onde sou eu?

Este "post", que foi escrito para outro "blog", saiu aqui inadvertidamente. Inadvertidamente? Talvez não... porque é do Zambujal e de Ourém que escrevo. Por isso, fica.
Vivo aqui. Os meus vizinhos são aqueles com quem vivo paredes meias, mesmo que as paredes não sejam a meias porque campos as separam. Mas é a gente com quem me cruzo todos os dias, ou quase todos, nestes caminhos que são os da vida.
É com quem quotidianamente convivo… Damo-nos as salvações, oiço-lhe as vozes ou os carros quando passam na estrada, às vezes (e não poucas!) provam amizade ao trazer-me premissas, ovos, uma galinha, azeite, um garrafão do vinho novo. Não para “pagar favores”, que o único favor que lhes faço é ser seu vizinho, com eles conviver e, por isso, ser solidário quando há razões para mostrar solidariedade.
Alguns são velhos amigos. Do tempo de cachopada, de adolescência, de dias inteiros passados atrás de uma bola, ou à porta do Xico ou no Campo de S. Sebastião, de adultos nos descobrirmos. E de sempre nos reconhecermos.
Mas, por vezes, sinto que há mundos a separarem-nos. Não as paredes meias, nem os campos e campos, mas vivências que nos aproximaram esporadicamente e nos afastaram insanavelmente. Nunca fui o senhor economista, ou o senhor deputado, ou o senhor doutor, mas sou o doutor (e o comunista), tenho mais livros e jornais em casa que toda a aldeia junta, sei de coisas e falo de coisas que não são as coisas que eles sabem e de que eles falam.
Queria tanto estabelecer pontes! Procuro-as, mas pouco encontro para além de uns copos e das recordações comuns. Falar o quê?, de quê?, falar do PEC?, argumentar pelo sim à IVG (e em que condições), e ouvir de resposta «valha-me Deus, que pecado!, tirar a vida a inocentinhos…» pela boca de quem fez sabe lá quantos desmanchos com a graça de deus porque sobreviveu aos enormes riscos?, conversar com professores que por aqui procuram a tranquilidade e nada dessas «coisas da política»?
Mas em que mundo vivo? Não é neste e com esta gente, de que sou e de que gosto de ser?

A Dora, com a minha mãe e as irmãs Luisa e Maria "Santo Amaro", numa foto de há mais de meio século

Tudo isto viaja dentro de mim, mas um dia destes bateu-me violentamente à porta (por esse lado de dentro). Morreu a Dora! A Maria da Adoração Costa, uma vizinha que foi bem mais que vizinha, e de cuja morte apenas soube umas horas depois do enterro. E tinha estado aqueles dias em casa, com o carro visível, se calhar entrando e saindo para pequenos percursos nele montado ou a pé. Ninguém me disse nada!
A Dora era uma muito jovem mãe solteira que vivia com a mãe no Vale da Perra e que, numas férias, veio trabalhar cá para casa, para “criada”, como então se dizia. Veio à experiência, agradou à minha mãe, foi para Lisboa connosco.
Há 60 anos! E ficou anos em nossa casa. Não sei quantos. Quantos quis, até mudar de querer, de vida, de estado. Casou com o Zé da Barroca, velho amigo de futeboladas e festas de aldeia, de quem teve mais dois filhos, e que cedo «foi para adubo», como ele dizia.
Depois, quando a minha mãe precisou de quem a tomasse a seu cuidado, e antes da solução inevitável da ida para um lar, o de Vilar dos Prazeres, onde eu a visitava quase todos os dias até à sua morte, aos 96 anos, ainda foi da Dora que me lembrei e com ela se tentou a continuação da vida na casa da Rua do Sol, e foi como se duas amigas se reencontrassem.
E muitas vezes nos encontrávamos, até porque ela tinha, com outras senhoras vizinhas, o hábito de dar passeios para «fazer bem à saúde», e connosco se cruzava.
E, agora, morreu a Dora e eu apenas soube umas horas depois do enterro. Queria ter-me despedido dela, dar um abraço aos filhos, filha e netas.
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De que mundo sou?, com quem convivo?

domingo, 2 de maio de 2010

Crónica de uma auditoria adiada e de um caso paralelo (mas só no início…)

A reunião da Assembleia Municipal de 30 de Abril decorreu sob o signo da ausência dos resultados da auditoria. Tudo converge na gravidade dessa ausência.
Antes de mais, porque a sua necessidade e urgência foi um dos lemas mais usados na campanha eleitoral pela candidatura do PS, i) pelo conhecimento directo e interno (3 vereadores em 7 eleitos no executivo), ii) pelos sinais exteriores, iii) pela afirmação do pressuposto de que, a ganhar as eleições, iria herdar uma situação calamitosa a exigir intervenção ao jeito de “terapia de choque”. Para esta, o conhecimento rigoroso da situação, e o testemunho e aval de entidade exterior, seria da maior necessidade.
Tanto assim que começou por se ligar a auditoria a outro lema da campanha, o Congresso de Ourém, logo marcado para Janeiro. A tempo foi evitada essa incongruência, e a tempo foi decidido que o Congresso fosse adiado e desligado da auditoria, embora os seus resultados se considerassem de grande utilidade como contributo para o Congresso.
Na semana em que se realizou o Congresso, em entrevista ao NO, o Presidente da Câmara admitiu a possibilidade de levar tais resultados ao Congresso, ou que os apresentaria na semana seguinte. Mas essa semana passou e outras passaram, até passar mais de um mês, e os documentos de prestação de contas e os previsionais, o orçamento, tiveram de ser apresentados à Assembleia Municipal na ausência dos tão necessários resultados da autoria.
Da auditoria, sabe-se a quem foi adjudicada – a uma empresa transnacional, a “major international accounting and consulting firm”, diz a net –, sabe-se o custo – quase 75 mil euros (decerto mais IVA) –, sabe-se de 12 milhões de euros que é preciso pagar a curto prazo. É manifestamente pouco. E obriga a esperar para Junho, apesar de terem sido aprovados, por unanimidade, a prestação de contas - francamente mais favorável do que previsto -, e os documentos previsionais (estes apenas com 16 votos a favor e 19 abstenções – uma delas com a afirmação explícita de ser um não-voto… à espera de Junho –, o que tem um grande significado).
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Acontece que no 1º de Maio, sendo como sou deste distrito, fui a Santarém à manifestação sindical e encontrei-me com um membro da AM de Alpiarça, que também reunira na véspera. Trocámos impressões sobre as duas situações, até certo momento idênticas.

E, na conversa a passo de marcha, fiquei a saber mais sobre Alpiarça que sobre Ourém!...
Em Alpiarça, a CDU, pelo conhecimento que tinha da gestão PS na Câmara – como o PS-Ourém da gestão PSD –, também fez uma campanha falando da necessidade de uma auditoria. Ganhou as eleições. Contratou uma auditoria.
A partir daqui, tudo foi diferente: a auditoria foi adjudicada a uma empresa de Évora, a POCAlentejo, por 4.800 euros (não me enganei: 15 vezes menos que a Deloite!). O trabalho foi feito – e está a ser continuado –, serviu para a “prestação de contas”, e de tal modo que os eleitos do PS no executivo votaram contra essa prestação de contas que, aliás, era de exercício seu em quase 10 de 12 meses, a auditoria colaborou activamente na elaboração do "orçamento e grandes opções para 2010", e na prospectiva estratégica para o município. Mais (e significativo de transparência): os membros da AM têm conhecimento do relatório da empresa de auditoria. O relatório aborda:

a. As medidas tomadas pelo actual executivo para identificar, regularizar e quantificar a situação económica e financeira do município, nomeadamente ao nível do seu endividamento e endividamento líquido;
b. Demonstração dos níveis de endividamento e endividamento líquido do município, quantificando os valores e percentagem em que estes ultrapassam os limites legais e quais os parâmetros que se encontram violados nos termos do Decreto-Lei 38/2008, de 7 de Março.
c. Enquadramento da situação de desequilíbrio.
d. Análise da situação orçamental, financeira e económica.

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Ao assunto voltarei, sublinhando que estou a falar de coisas muito sérias!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

De regresso (sem, na verdade..., ter saído)

Dado o facto de estar a deixar mensagens noutros "blogs", em que dou notícias de Amsterdam, que não se duvide que sexta-feira estarei na Assembleia Municipal. Aliás, tenho ocupado o meu tempo livre desta curta visita - de 2ª a 5ª - a estudar a "ordem de trabalho" e a aproveitar as informações e comentários de um novo "blog" sobre Ourém, que, como era de esperar, já deu importantes contributos.
Hoje, por exemplo, folheei (!?) na net o anuário financeiro dos nunicípios portugueses relativo a 2008, cotejei-o com a "prestação de contas" do nosso município relativas a 2009, e encontrei coisas curiosas e quase surpreendentes porque as esperava bem diferentes, sobretudo no que respeita ao posicionamento do município de Ourém no quadro (de 2008) dos municípios portugueses.
Ah!, a falta que está a fazer uma anunciada auditoria...
... e como gostaria que o interesse e a participação dos municipes fosse outro, e levasse muita gente a estar presente, a ouvir e a intervir no último ponto da ordem de trabalhos!
Sim, porque a todos diz respeito e todos podem (e deveriam) participar.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um novo espaço sobre Ourém

Registo!
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Sérgio Faria, que dele é o nome para que conste, abriu um novo espaço: este.


Para (continuar a) partilhar com outros o seu desassossego de ser oureense.

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E registo-o com grande satisfação.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Vamos lá a ver se percebo... (estou nesta, mas ando nisto há 74 anos!)

Quando me falam em tolerância de ponto interpreto tal medida, tomada por quem pode, como querendo dizer que quem, por motivo do motivo da tolerância, optar por não trabalhar para ir fazer outra coisa está autorizado a faltar ao trabalho sem consequências nocivas, assegurando-se, precautamente, os serviços mínimos.
Não se trata de feriado, de encerramento para mudança de ramo, ou de coisa parecida.
Exemplifico. Eu, que sou ateu (graças a deus) e reformado, estaria a fazer batota se aproveitasse uma tolerância de ponto para que pudesse acompanhar os rituais da vinda do chefe de uma igreja a Portugal, e mais perto ainda dentro de Portugal, e não os fosse acompanhar, nem de longe, mas com esse pretexto faltasse às minhas obrigações profissionais. Não é assim?
Estou só a ver se percebo...
Já seria diferente se as entidades patronais, por motivos seus e não dos seus trabalhadores (agora diz-se colaboradores, não é?), resolvessem-se encerrar as portas e os serviços, e decidissem um feriado ad-hoc, até para estimular o dito acompanhamento inclusivé por gente como eu, mas em que, evidentemente, também sempre se teriam de assegurar os serviços mínimos.
Isto será só uma mania esquisita de querer dar às palavras o seu significado. Querer saber do que falo e do que me falam quando digo ou me dizem coisas.
Ou será apenas um exercício de retórica, dirão.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Lembrando 37 vinte e cinco de Abris

Vivo sempre emocionado o 25 de Abril.

Lembro, talvez com emoção cada vez maior e cada vez mais controlada, o 25 de Abril de 1974.
Este será o 37º, perfazendo 36 anos de liberdade e democracia.

E lembro, como uma vivência inesquecível, um 25 de Abril (o de 1984) em Vila Nova de Ourém, nos Bombeiros, em várias iniciativas por mais que um dia e por mais que uma sala, comemorando o 10º aniversário com um programa que deveria ser, não digo repetido, digo retomado como projecto de unidade... ao menos nesta comemoração, sem que isso beliscasse o sermos cada um um, e tudo o que nos possa dividir uns dos outros em todos os outros dias!

Serei o único a lembrá-lo? Foram uns dias que eu não esqueço. Há 26 anos. Quando tantos de nós que hoje somos ainda não tinham nascido!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

(con)Viver democraticamente

A leitura da última edição do Notícias de Ourém convida a vários comentários. Pelo que traz publicado e pelo que não publicou. Não me referirei a tudo o que me suscitaria comentários por não ser possível e/ou por achar que não vale a pena, mas apenas à página dedicada à reunião do executivo da Câmara.
O relato feito é preocupante por ilustrar a dificuldade de viver em democracia. E isso pressupõe viver em confronto com outras posições que não as nossas. Diria mesmo que é fácil ser democrata em minoria absoluta. (Do que nós temos nós larga experiência!...)
Nos antípodas, parece estar a dificuldade de ser democrata em maioria absoluta. E isso reflecte-se na assunção de atitudes semelhantes aquelas que os que agora alcançaram essa posição de maioria absoluta criticavam acerbamente quando ela era de outros.
É quase incompreensível, se o relato é fiel..., que quem começou o mandato por guardar todos os pelouros si, depois, quando confrontado com opiniões discordantes, além de se tratar sobranceiramente discordâncias considerando-as "bojardas", se use pontualmente a fórmula-desafio neste caso, façam vocês... e se acharmos que seria melhor do que nós faríamos, nós aceitaremos!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Hoje, Gato Branco, Gato Preto

Apesar do Benfica em Liverpool!

sábado, 3 de abril de 2010

Congresso de Ourém - 6 - Balanço e prospectiva

Gostei que se tivesse feito o Congresso, e gostei de nele ter participado. Não foi o congresso que eu gostaria, mas teve muitos aspectos positivos. Não teve o tempo de maturação necessário, foi preparado sob pressão, mas fez-se. Congressou-se!
Sobre a realização, já algo adiantei da minha opinião, apenas acrescentando agora que, a título de exemplo, cada relator interpretou à sua maneira como transmitir o relato do que se passara nas respectivas secções temáticas, pelo que não convergiram num contributo para a consolidação do que fora exposto e/ou se debatera.
O discurso final do Presidente da Câmara era aguardado com alguma expectativa pelas oscilações que teve a organização e objectivos do Congresso.

O Congresso começou por ser promessa de campanha eleitoral e, depois, por se apresentar, quando se apresentou como iniciativa institucional, ligado à auditoria financeira, o que seria um enorme erro. Mas o facto é que o erro apenas parcialmente se corrigiu, porque o discurso do Presidente da Câmara, no final do Congresso, de certo modo o recuperou.
O que poderia ter sido, se a tempo tivessem estado disponíveis informações, um suporte ou um avaliado constrangimento para delinear opções estratégicas, continuou a ser “arma política” que nunca podia substituir o balanço e a prospectiva que se devia esperar, ainda que a traços muito largos.
Aliás, a intervenção de Paulo Fonseca foi um discurso político e pouco um encerramento de Congresso. Na minha opinião (valha o que valer…), a informação de 12 milhões de euros como dívida de curto prazo nem no início do Congresso lhe teria trazido qualquer contributo. É preciso saber muito mais, e o que se pagou (ou irá pagar) pela auditoria terá de ter bem maior utilidade, embora nunca podendo substituir o rico diagnóstico para opções estratégicas para o concelho que se poderia (e poderá!) retirar do que foi o Congresso.
Sublinho que, depois do que foi dito, por exemplo, sobre a situação da indústria e Vilar dos Prazeres, da hotelaria em Fátima, do património relativo à agricultura e à floresta, aos recursos naturais e ao PRODER, a afirmação de que as empresas têm de ter “dimensão, inovação, internacionalização” para “alavancar” e a frase bombástica “quem não estiver internacionalizado, morreu” – após a afirmação da necessidade de captação de investimento no exterior, como se aí estivesse a salvação da Pátria –, ilustram um discurso que pode ter excelente imagem, muita receptividade e provocar adesão e ilusões, mas nada promete relativamente ao que (na minha opinião, claro!) o concelho e o país precisam.
Para terminar, o anúncio de um “festival de latinidade” para se “cheirarem oportunidades de negócio” lembra que há por aí muito negócio a cheirar mal…

Uma afirmação de intenção e cariz estratégico seria aquilo de que se precisava.
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Congressámos. Foi bom. Mas ainda pouco!
(acho eu...)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Congresso - 5 - sobre preparação, organização, realização, ambiente

Esta é a penúltima mensagem aqui colocada sobre o Congresso de Ourém. Aqui e no anónimo fui "passando a limpo" notas que tirei durante o congresso... antes de desaparecerem em definitivo no fundo de uns bolsos que vão passar pela máquina de lavar ou reaparecer, tempos lá para diante, papelitos já sem oportunidade e, por isso, sem préstimo. Não que pense que estas notas, agora, tenham muito préstimo...
O que quero é deixar afirmada é a minha satisfação por ter podido contribuir para uma iniciativa oureense em que senti convergir, de várias origens, a mesma vontade de se "ser útil à terra". Independentemente das divergências. Que muitas são entre alguns de nós. Mas o congresso congregou-nos e... congressámos!
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Quanto à preparação e organização, penso haver muito a conversar, ainda no âmbito da comissão organizadora. Nem tudo correu bem. Algumas coisas correram mal, e haveria que ver porquê e como corrigi-las. Pelo meu lado, tenho críticas (e auto-críticas!), e toda a disponibilidade para as colocar na mesa.
Há uma articulação Câmara (entidade promotora)-Comissão Organizadora-Secretariado que, quer na preparação e na definição (e cumprimento!) de regulamento, quer na concretização, com alguma clarificação de tarefas (como as de coordenador-responsável, moderador, relator), quer na questão fundamental (para mim) de mobilização dos oureenses, pode ser muito melhorada em iniciativas semelhantes (se as houver).
Aqui, e agora, quero apenas saudar, como aspecto que marcou o ambiente em que decorreu o congresso, a participação da Insignare, com a sua equipa de jovens, que deram cor e, sobretudo, alegria àquele espaço em que se passavam coisas, algumas naturalmente... "chatas", que eles amenizaram, bem como todo o outro pessoal de apoio logístico.
Fica este agradecimento, estritamente pessoal, pelo bem que me senti durante o Congresso de Ourém, no espaço do Cine-Teatro.
E terminarei, na próxima mensagem, com uma espécie de balanço (pessoal!) a partir de um comentário ao discurso do Presidente da Câmara.